Bastidores do segundo turno revelam articulações e duelo político no Tocantins
Nesse jogo de forças, vão contar duas decisões até o final da semana: com quem ficará Laurez (que agora quer a vaga de conselheiro no TCE) e Eli Borges, que mastiga as mágoas e decide com quem seguir
Crédito: Montagem T1 Notícias/Divulgação
O segundo turno das eleições no Tocantins começou quente com o abraço de Flávio Bolsonaro à senadora Professora Dorinha, em um pedido explícito de votos em vídeo que circulou ontem. Com a virada de votos no Tocantins — que nas eleições de 2022 deu a vitória ao presidente Lula —, Flávio saiu na frente com uma vantagem, comemorada ao lado de Dorinha e de Eduardo Gomes. Gomes, que protagonizou uma vitória gigantesca ao adotar uma estratégia inteligente nos casamentos que fez do segundo voto, é o maestro dessa aproximação. Com o trânsito e a influência que tem em Brasília, tratou logo de costurar a aproximação e o carimbo de Flávio Bolsonaro já na segunda-feira, 5.
A quem tem me perguntado na rua e por telefone como está o tracking, já digo que não tenho essas informações nesta quinta-feira, 8. Porém, pesquisas com link (responde quem quer) feitas em mais de 900 grupos de WhatsApp registram crescimento do entorno de Vicente Jr. A explicação é simples: a expectativa de vitória dele cresceu muito com a diferença pequena, e fora do espectro da maioria do que as pesquisas previam na véspera da eleição. Conversando com algumas fontes do entorno da senadora, as informações são de que os seus principais articuladores lutam bravamente para segurar o que ela tem e ampliar a vantagem.
Na cabeça do movimento para buscar os eleitores de Flávio está o senador do PL, Eduardo Gomes. Há 15 dias da eleição, em reunião da cúpula da campanha, o prefeito Eduardo Siqueira Campos já havia sugerido o alinhamento dela à campanha presidencial. As pesquisas, segundo ele, já mostravam um crescimento gigantesco de Flávio Bolsonaro em todo o País. Analistas de dados do Palácio Araguaia, no entanto, defenderam a tese de que ela perderia os votos da esquerda que não acompanhou Laurez e do centro que não queria Flávio, mas queria Dorinha. O resultado da eleição e a força do PL no Estado provocaram o alinhamento.
No comboio de quem está aliviado com o posicionamento da senadora vem, por exemplo, o deputado federal eleito Sandoval Cardoso. Forte no agro, ele se movimentou nos últimos dias e quer assumir a coordenação da campanha dela neste segmento, essencialmente conservador. Sandoval Cardoso já lidera em Colinas e Araguaína um levante pró-Dorinha. De outro lado, o deputado federal eleito Lucas Campelo, que fez dobradas importantes na região Norte com candidatos do espectro de esquerda para garantir sua maioria de votos, também está reposicionando todos os apoiadores que consegue em favor de Dorinha.
O retrato da campanha hoje é: Vicente Jr. se fortalece, mas Dorinha não joga a toalha. Vai ser um duelo de gigantes daqui a pouco mais de duas semanas, tanto em nível nacional — onde a reação é enorme em favor de Lula — quanto aqui no nosso Tocantins, onde a decisão do PT em não apoiar ninguém terá o efeito de liberar os seus apoiadores para decisões pessoais. Nesse jogo de forças, vão contar duas decisões até o final da semana: com quem ficará Laurez Moreira (que agora quer a vaga de conselheiro no TCE) e Eli Borges (que mastiga as mágoas e decide com quem seguir).
É isso!
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