Flávio diz que levará para o túmulo segredo sobre fuga do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não revelará como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos depois de ser derrotado nas eleições presidenciais de 2026. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta 5ª feira (5.nov.2026), negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros para organizar a viagem.
“Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, declarou.
Flávio afirmou que decidiu deixar o país com a mulher, sem avisar previamente a aliados: “Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.
A declaração contrasta com informações publicadas pelo New York Times e pelo Wall Street Journal. Segundo os jornais, o jato particular utilizado pelo senador foi providenciado por Jason Miller, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
O New York Times também relatou, com base em autoridades norte-americanas, que a entrada de Flávio no país foi autorizada diretamente por Trump.
Já o jornal argentino Clarín informou que Santiago Caputo, assessor do presidente Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú, na Argentina, durante a passagem do senador pela região, e acompanhou a operação.
SAÍDA DO BRASIL
Flávio deixou o Brasil depois de receber uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para entregar seus passaportes. A determinação foi expedida no âmbito de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro. O senador não cumpriu o prazo estabelecido.
Na entrevista, afirmou que decidiu sair do país na manhã seguinte à derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro, por acreditar que seria preso caso permanecesse no Brasil.
“Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, declarou.
O senador chegou a Miami em 28 de outubro, depois de passar pela Argentina. No mesmo dia, divulgou uma carta em que se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e contestou o resultado das eleições. Posteriormente, uma nova versão do documento substituiu a expressão por “líder do Brasil”.
Flávio afirmou ao jornal que pretende continuar atuando politicamente dos Estados Unidos e espera que sua permanência no país seja temporária. “Preciso seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, disse.
O senador também não descartou voltar ao Brasil para disputar outra eleição. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
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