FGC do Paraguai inicia pagamentos a correntistas do Ueno Bank
O Banco Central do Paraguai informou nesta quinta-feira (5) que dará início ao pagamento da garantia aos depositantes do Ueno Bank. A primeira etapa contemplará clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, ou cerca de R$ 8,9 mil, e que não tenham dívidas com a instituição.
De acordo com comunicado do BC paraguaio, o depositante também precisa ter uma conta ativa em outro banco ou instituição financeira do país para receber os recursos nesta primeira etapa.
A autoridade monetária informou que os clientes cujos depósitos totais não ultrapassem 228 milhões de guaranis – pouco mais de R$ 203 mil – terão direito à restituição integral dos valores.
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Ueno Bank: Banco paraguaio administrava US$ 850 milhões em dinheiro público
Os próximos grupos contemplados serão anunciados posteriormente, conforme o andamento do processo e os prazos previstos em lei.
O BC também ressaltou que pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao Ueno Bank estão excluídas da cobertura do FGD (Fundo de Garantia de Depósitos). Caso recebam recursos, deverão devolvê-los ao fundo em até 24 horas.
Entenda crise do Ueno Bank
A crise do Ueno Bank começou a ganhar força após questionamentos sobre a situação financeira da instituição e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco.
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e iniciou o processo de liquidação da instituição após constatar que seus índices de solvência estavam abaixo da metade do mínimo exigido pela regulamentação.
Com cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a quase metade da população paraguaia, o banco digital administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo dinheiro de fundos previdenciários. Após a intervenção, as contas dos clientes foram bloqueadas e os ativos e passivos da instituição, congelados.
A medida provocou filas em agências e dificuldades de acesso ao dinheiro, além de aumentar a preocupação sobre o destino dos recursos de aposentadorias.
O episódio também ganhou dimensão política por causa da relação do presidente Santiago Peña com a instituição. O chefe de Estado foi acionista do grupo controlador do Ueno até março de 2025.
A oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses, uso indevido de recursos previdenciários e omissão das autoridades reguladoras diante das irregularidades.
Nesta quinta-feira, Peña anunciou sua renúncia, em meio à pressão política provocada pelo caso e após pedir a saída do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo.
Cerca de uma hora após o anúncio, a Câmara de Deputados paraguaia aprovou o impeachment do presidente por unanimidade. Parlamentares da oposição defenderam esse processo para que o chefe de Estado não tenha foro privilegiado.
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