Pressão popular leva prefeito do Recife a voltar atrás e cancelar show de Jorge e Mateus no Ano Novo
O show público da dupla Jorge e Mateus no Recife, marcado para o dia 27 de dezembro, dentro da programação oficial de Ano Novo, foi cancelado nesta última terça-feira (3). A decisão foi anunciada pelo prefeito da capital, Victor Marques (PCdoB), após uma série de críticas levantadas com a circulação de um vídeo recente, no qual o cantor Jorge aparece em um encontro de artistas sertanejos em apoio o derrotado candidato à presidência Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, Jorge chegou a declarar: “pode chorar, mas eu não voto no PT”, parafraseando uma canção de seu repertório, no encontro realizado em Goiás durante as eleições. Com a circulação do vídeo, surgiram uma série de críticas em relação à escalação do sertanejo na programação de ano novo de capitais como Recife e Fortaleza, onde Lula teve 61,27% e 60,07% dos votos, respectivamente.
Internautas também passaram a comentar sobre supostas falas xenofóbicas de Jorge em relação ao Nordeste. Em nota divulgada à imprensa, o cantor nega essas declarações. “Nunca fiz essas declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito”, diz Jorge (confira íntegra abaixo).
O show da dupla gerou repercussão política na capital pernambucana. No início da semana, o prefeito Victor Marques chegou a gravar um vídeo sobre os pedidos de cancelamento do show, defendendo que era preciso “respeitar e conviver com todos que pensam diferente de nós”, fazendo necessário “superar divisões”.
Surgiram então críticas ao posicionamento do prefeito. Pedro Alcântara, vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), divulgou um vídeo em suas redes reforçando a necessidade de cancelamento do show enquanto uma demanda orgânica da população recifense.
“O nosso presidente disse que era preciso desarmar os palanques na política, mas, na vivência cultural do povo com nossa terra, é preciso, sim, afirmar a preferência popular”, afirmou Pedro. Na mesma semana, Jô Cavalcanti (Psol), vereadora do Recife, apresentou um projeto de lei na Câmara proibindo a contratação de artistas que cometam xenofobia contra o povo nordestino.
Na noite da última terça-feira (3), Victor Marques anunciou, por meio de suas redes, que a dupla não mais se apresentaria no Réveillon recifense. Ele afirmou que “não há mais clima para a apresentação da dupla”, diante do espírito de confraternização da festividade. No mesmo dia, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT) também anunciou o cancelamento do show na capital cearense. Em ambas as cidades, ainda não foram divulgadas atrações substitutas.
A decisão foi celebrada por figuras políticas progressistas e criticada por conservadoras. O vereador do Recife Eduardo Moura (Novo), publicou um vídeo criticando a decisão por um suposto caráter de perseguição ideológica. “Não é boicote, é preconceito e retaliação contra quem não vota no PT”, afirmou Eduardo. Já o também vereador Thiago Medina (PL) criticou a mudança de rumos do prefeito do Recife na decisão, acusando-o de boicote por opinião política.
CONFIRA A NOTA DE JORGE
“Diante de algumas informações que circularam nas redes sociais nos ultimos dias, considero importante esclarecer que as falas que estão sendo atribuidas a mim, especialmente em relação ao nordeste e ao povo nordestino, não são verdadeiras.
Nunca fiz essas declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito.
Faço esse esclarecimento em meu nome, por se tratar de uma situação relacionada a mim, e não ao mateus ou à nossa trajetória como dupla.
Ao longo da minha carreira, tive o privilegio de conhecer todos os estados do nordeste, cantar para milhares de pessoas e receber um carinho que sempre levarei comigo.
Tenho uma gratidão imensa pelo povo nordestino, por sua cultura, sua história e por tudo que essa regiao representa para a música brasileira e para a minha própria caminhada.
Respeito as diferentes opiniões e acredito que, acima qualquer divergencia, devem prevalecer o diálogo, a empatia e o respeito.
A música sempre foi a minha forma de me conectar com as pessoas, levar alegria e retribuir todo o carinho que recebo.
Independentemente de qualquer diferença, meu desejo é que o nosso país esteja bem, que as pessoas estejam bem e que nunca percamos o respeito uns pelos outros”.
Jorge
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