POLÍTICA Flávio diz que levará segredo da fuga do Brasil “para o túmulo”
O senador Flávio Bolsonaro (PL) evitou revelar detalhes sobre como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais. Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira, 5, ele afirmou que pretende manter os detalhes da viagem em segredo pelo resto da vida.
O senador também negou ter recebido ajuda de governos ou autoridades estrangeiras para organizar o deslocamento. Segundo ele, a decisão de deixar o Brasil foi tomada espontaneamente, em conversa com a esposa, embora reconhecesse que o casal tinha amigos no exterior.
Tudo sobre Política em primeira mão!“Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo. Foi tudo obra minha. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou ao jornal.
A saída ocorreu depois que autoridades brasileiras determinaram a entrega dos passaportes. Flávio relatou que foi abordado quando deixava o condomínio onde o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumpre prisão domiciliar.
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Viagem passou por três países
O trajeto até os Estados Unidos percorreu cerca de 8 mil quilômetros e incluiu passagens pelo Equador e pela Argentina, antes da chegada a Miami. Segundo o New York Times, o jato utilizado na viagem teria sido providenciado por um funcionário da Casa Branca, e a entrada do senador nos Estados Unidos teria sido autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump.
Flávio, no entanto, negou qualquer participação de autoridades estrangeiras na organização da viagem. Ele afirmou que pode ter recebido manifestações de apoio, mas descartou que isso tenha se convertido em ajuda concreta.
O senador também contou que conversou com o pai antes de partir. Segundo seu relato, Jair Bolsonaro demonstrou preocupação e questionou se o filho compreendia o que as autoridades pretendiam fazer. Flávio afirmou que respondeu estar preparado, mas disse que os dois não discutiram um plano de fuga.
Poucas horas depois, o senador publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que entregaria os documentos e que não tinha intenção de deixar o país. Em seguida, desapareceu e reapareceu em Miami cerca de 42 horas depois.
Senador afirma temer condenação
Na entrevista, Flávio reafirmou que considera injustas as investigações às quais responde e afirmou acreditar que seria preso caso permanecesse no Brasil. “Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, declarou.
Flávio também criticou o Judiciário brasileiro e voltou a questionar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, que condenou seu pai a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
No Brasil, o senador enfrenta investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção.
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