'MIDTERMS' Democratas prometem conter Administração Trump após vitória nas eleições de meio de mandato
Donald Trump, presidente dos EUA (Mandel Ngan/AFP)
Após a vitória histórica nas eleições para o Senado e para a Câmara dos Representantes dos EUA, o Partido Democrata prometeu conter o presidente Donald Trump. A nova configuração do Congresso pode levar a vetos e a impasses institucionais nos últimos dois anos do mandato republicano.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a prioridade da nova maioria será o custo de vida e o questionamento à guerra com o Irã. Entretanto, analistas ponderam que a ausência de uma maioria qualificada à prova de veto pode limitar a capacidade dos democratas de reverter as políticas tarifárias de Trump, a abordagem em relação à guerra na Ucrânia e as relações com aliados europeus.
Lideranças prometem controle e fim de guerra
O líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, declarou que o grupo deseja se concentrar na acessibilidade financeira e na responsabilidade fiscal.
“Não trabalhamos para Donald Trump. Trabalhamos para o povo norte-americano. Os dias em que a Câmara dos Representantes funcionava como uma subsidiária integral da administração Trump acabaram. Este Congresso recém-eleito deve lutar por uma América acessível. O objetivo agora é que o Legislativo assuma o papel de mecanismo de controle e equilíbrio sobre um Poder Executivo fora de controle”, afirmou Jeffries, parlamentar de Nova York apontado para se tornar o primeiro presidente negro da Câmara.
Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, prometeu priorizar o fim do conflito com o Irã. Schumer sinalizou que o corte de verbas para o Departamento de Defesa pode ser considerado caso seja a única via para acelerar o encerramento das hostilidades.
Impacto no Partido Republicano e no movimento conservador
A derrota nas urnas altera os cenários da gestão Trump e projeta impactos diretos na corrida pela Casa Branca em 2028. Analistas apontam que o revés afeta particularmente o vice-presidente JD Vance, até então considerado o favorito para a sucessão de Trump, que agora corre o risco de ficar associado a um governo derrotado.
O número dois da Casa Branca reagiu aos resultados tentando se distanciar do pleito e atribuindo a responsabilidade do resultado exclusivamente à guerra contra o Irã. Contudo, a derrota de dezenas de candidatos apoiados diretamente pelo presidente levantou questionamentos sobre o peso de seu apoio político.
Paralelamente, a troca de acusações se intensificou dentro do Partido Republicano. Há avaliações internas de que as urnas sinalizam o início do fim da força do movimento Make America Great Again (Faça a América Grande Novamente) sob o comando de Trump. A corrente conservadora enfrenta desgaste, fragmentação interna e divergências ideológicas sobre a condução do presidente.
Obras polêmicas e desgaste de imagem
Apesar da derrota do seu partido, Trump discursou no salão de baile da Casa Branca e elogiou as grandes reformas em andamento no local. A intervenção tem gerado forte polêmica e as obras chegaram a ser suspensas por ordem da Suprema Corte. A reconstrução do espaço está estimada em 400 milhões de dólares.
Para analistas norte-americanos, o resultado das urnas reflete a indignação crescente da população com as diretrizes do governo, sobretudo a guerra contra o Irã, o aumento no custo de vida e nos combustíveis e o não cumprimento de promessas de campanha. Pesam ainda contra a gestão denúncias de corrupção e enriquecimento ilícito de assessores e de empresas ligadas ao próprio presidente, que obtiveram lucros superiores a um bilhão de dólares no período.
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