Jogadores afetados por crise bancária no Paraguai cobram punições
Os atletas da seleção de futebol do Paraguai divulgaram na quarta-feira (4/11) um manifesto público exigindo rigor das autoridades judiciais do país na apuração das fraudes que levaram à intervenção no Ueno Bank. O posicionamento ocorre no momento em que a crise na instituição financeira digital provocou desdobramentos políticos de grande escala na capital Assunção, culminando na renúncia do presidente da República, Santiago Peña, e do presidente do Banco Central do país, Carlos Carvallo.
O grupo de jogadores, que inclui diversos atletas com atuação no futebol brasileiro, confirmou que parte do elenco figura entre os lesados pelo congelamento das contas e pela suspensão das operações bancárias. A manifestação foi compartilhada em redes sociais por nomes conhecidos da torcida brasileira, como o zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, o defensor Fabián Balbuena, do Grêmio, o meio-campista Damián Bobadilla, do São Paulo, e o atacante Isidro Pitta, do Red Bull Bragantino.
Na carta aberta divulgada coletivamente, os futebolistas destacaram que a prioridade das ações de socorro e ressarcimento deve ser direcionada aos trabalhadores de menor renda e às famílias que perderam o acesso às economias acumuladas ao longo da vida. Embora tenham confirmado a intenção de buscar a recuperação de seus próprios recursos por meio de medidas judiciais individuais e coletivas, os signatários ressaltaram a necessidade de proteger o público de maior vulnerabilidade econômica.
A intervenção no Ueno Bank foi decretada pela autoridade monetária paraguaia após os indicadores de solvência da empresa despencarem para 5,56%, patamar substancialmente inferior ao limite mínimo regulatório de 12% exigido pela legislação local. O colapso operacional resultou na interrupção imediata dos canais digitais de atendimento e dos saques em caixas eletrônicos, além de motivar a prisão preventiva de oito executivos e fundadores ligados à administração do banco.
O escândalo financeiro ganhou contornos institucionais severos devido ao volume de recursos públicos custodiados na instituição, que ultrapassava a marca de US$ 850 milhões, incluindo verbas vinculadas ao sistema estatal de previdência social. A ligação prévia de altos executivos do banco com cargos de chefia no governo e na autoridade monetária acelerou a degradação política que culminou nas renúncias no topo do Poder Executivo paraguaio.
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