Ação contra exploração sexual de brasileiras pede bloqueio de R$ 10 milhões
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4), a Operação Dirty Dancing para desarticular uma organização criminosa suspeita de recrutar mulheres brasileiras para exploração sexual em Israel. Uma mulher, suspeita de chefiar o esquema foi presa.
Segundo as investigações, o grupo também facilitava a entrada irregular das vítimas em outros países, organizava a divulgação de anúncios de prostituição e ficava com parte do dinheiro obtido com a atividade.
A operação cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no Pará. Outro mandado de busca e apreensão foi executado em Goiânia, em Goiás.
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Por determinação da Justiça Federal, também foram autorizadas medidas para atingir o patrimônio dos investigados.
Entre elas, o sequestro e o bloqueio de bens e valores até o limite de R$ 10 milhões, além da suspensão das atividades de duas empresas ligadas à principal investigada, que foi presa.
Outros dois suspeitos tiveram os passaportes apreendidos, passaram a ser monitorados eletronicamente e estão proibidos de deixar o país.
“Apuramos que essas mulheres, geralmente jovens entre 20 e 30 anos, iam ao exterior por vontade própria, mas ali chegando, se depararam com realidades de trabalho bastante severas, visto que tinham que obedecer os comandos da líder da organização criminosa com ordens de horário de trabalho bastante rígido, quantitativo mínimo de clientes que deveriam ser atendidos diariamente, além da exigência de repasse de cerca de 50% dos lucros do trabalho aqui para o Brasil. Esses valores vinham do exterior para a território brasileiro por intermédio do câmbio ilegal”, detalhou o Delegado da PF, André Rodrigues.
Investigação começou após informações de Israel
Segundo a PF, as investigações começaram em fevereiro de 2025, a partir de informações compartilhadas pela Polícia de Israel.
A apuração brasileira é um desdobramento de uma investigação conduzida pelas autoridades israelenses sobre a atuação do mesmo grupo criminoso.
De acordo com a Polícia Federal, a principal investigada utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para recrutar mulheres interessadas em viajar para o exterior.
A organização providenciava o deslocamento e a hospedagem das vítimas nos países de destino. No Brasil, outros integrantes seriam responsáveis por divulgar anúncios em sites especializados e agendar clientes para as mulheres que estavam no exterior.
Dinheiro era enviado clandestinamente ao Brasil
A investigação também identificou uma estrutura para movimentar os valores obtidos com a exploração sexual fora do país.
Segundo as apurações, o dinheiro era arrecadado em espécie no exterior e enviado ao Brasil por meio de brasileiros que moravam em outros países.
Eles seriam responsáveis por intermediar as transferências por meio de um esquema clandestino de câmbio, sem autorização para realizar esse tipo de operação.
Para a Polícia Federal, os elementos reunidos até o momento indicam que a organização atuava de maneira contínua e mantinha uma estrutura voltada à exploração sexual de mulheres brasileiras em diferentes países.
Os suspeitos poderão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão das atividades da organização criminosa.
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