Internautas pedem prisão de Santiago Peña
Internautas paraguaios reagiram nesta 5ª feira (5.nov.2026) ao vídeo em que o presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), anuncia sua renúncia. Nas redes sociais, usuários cobraram sua prisão, defenderam seu impeachment e criticaram sua gestão.
As publicações afirmam que Peña não cumpriu as promessas de campanha e governou em benefício próprio, sem se preocupar com a população paraguaia.
“Você trabalhava para si mesmo e para o seu próprio benefício. O povo paraguaio nunca lhe importou; você nunca foi um deles”, escreveu uma internauta.

Outros usuários pediram que o presidente fosse preso. “Quero te ver em Tacumbú, seu criminoso!”, publicou um perfil, em referência à principal penitenciária do Paraguai.
Também houve cobranças para que Peña devolva o dinheiro que teria roubado. Um internauta afirmou que a renúncia não seria suficiente e defendeu que o presidente responda à Justiça.
“Impeachment e Tacumbú, agora é a sua vez”, escreveu outro usuário.
As críticas também mencionaram o descumprimento de promessas feitas durante a campanha eleitoral e a falta de compromisso com a população.
Veja outras reações de internautas:






ENTENDA
O Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente a metade da população paraguaia, estimada em cerca de 7 milhões de habitantes. Com o colapso, milhões de pessoas ficaram sem acesso aos recursos depositados na instituição.
Na 2ª feira (2.nov), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do banco. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Diante da pressão, Peña pediu a renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, que deixou o cargo na 3ª feira (3.nov). No dia seguinte, Peña anunciou a indicação do economista Raúl Vera Bogado para comandar o órgão e encaminhou ao Congresso o pedido de acordo constitucional para a nomeação.
O BC informou que a decisão resultou de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou adequação das operações aos limites legais. Os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez e para a necessidade de constituir provisões adicionais.
Com a abertura do procedimento de resolução, as operações do banco foram suspensas e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem os mecanismos de recuperação dos recursos.
Com isso, clientes e aposentados com recursos no Ueno Bank protestaram para exigir a devolução integral dos valores depositados. O ato começou de forma pacífica, mas evoluiu para confrontos quando um grupo tentou avançar em direção à sede do Congresso e foi contido pela Polícia Nacional. Houve choques com as forças de segurança em Assunção, capital do país.
RELAÇÃO DE PEÑA COM O UENO
O Ueno ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco, em 2023. A oposição ao governo Peña, por sua vez, questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios.
Congressistas de oposição falam em possível conflito de interesses e dizem que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio.
A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank, acima dos limites estabelecidos pela legislação vigente.
De acordo com o jornal ABC Color, o documento assinado por deputados de oposição afirma que o presidente paraguaio deve ser investigado pelos seguintes pontos:
- conflito de interesses e cooptação do Estado;
- manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;
- exceder os limites de crédito no UENO Bank e encobrimento institucional do Banco Central;
- benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;
- afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistémico.
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