Doença que ameaça lavouras de limão e laranja é detectada pela 1ª vez no Acre

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) confirmou, nesta quinta-feira (5), o primeiro caso de cancro cítrico no estado. A bactéria causadora da doença foi detectada em propriedades com cultivo de limão e laranja nos municípios de Brasileia e Epitaciolândia, na regional do Alto Acre. Após a confirmação, o órgão ampliou as ações de vigilância fitossanitária.
Os focos foram identificados por técnicos da equipe de Defesa Sanitária Vegetal da regional, durante atividades de monitoramento. A presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais.
O coordenador de Defesa Vegetal da regional do Alto Acre, Darison Alencar, participou da identificação dos primeiros sintomas suspeitos e destacou a importância do acompanhamento técnico e do contato direto com os produtores rurais. Ele relatou como o caso foi descoberto:
“Por meio do cadastro das propriedades, a equipe técnica do Idaf consegue realizar o monitoramento das áreas de produção. Foi justamente durante essas atividades que identificamos sintomas suspeitos de cancro cítrico em frutos de limão-taiti, em uma propriedade de Brasileia. Após investigação e realização de novas coletas, a presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais. Toda a documentação foi encaminhada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que, em conjunto com o Idaf, dará os encaminhamentos necessários, conforme a legislação vigente”.

Segundo relatos de produtores rurais, a ocorrência pode ter relação com a introdução de mudas clandestinas procedentes do estado de São Paulo. O Idaf conduz uma investigação epidemiológica para identificar as possíveis vias de entrada e de disseminação da bactéria nas áreas afetadas.
O cancro cítrico é causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri e atinge laranjeiras, limoeiros e tangerineiras. A doença provoca lesões em folhas, ramos e frutos, reduz a produtividade e causa prejuízos à comercialização. A transmissão ocorre pelo transporte de material vegetal infectado, principalmente mudas, e pela dispersão de partículas contaminadas de plantas doentes. Condições ambientais favoráveis e práticas inadequadas de manejo facilitam a propagação.
Os procedimentos de caracterização do status fitossanitário, vigilância, prevenção, supressão e erradicação da doença são regulamentados pela Instrução Normativa Mapa nº 21, de 25 de abril de 2018.
No Acre, o Idaf mantém o Programa Estadual de Sanidade Citrícola (Pesc), que reúne cadastramento de propriedades citrícolas, levantamento fitossanitário, inspeções, monitoramento de pragas e educação sanitária. Ao final de 2025, o estado tinha 275 propriedades cadastradas.

O instituto orienta os produtores a adquirir mudas somente de viveiros registrados, que tenham a documentação e a certificação fitossanitária exigidas pela legislação. Os produtores também devem comunicar ao Idaf qualquer sintoma suspeito nas plantações.
A coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Citrícola do Idaf, Ana Cláudia D’Abadia, ressaltou a necessidade de proteger a atividade no estado:
“Nosso objetivo é identificar precocemente qualquer ocorrência, realizar as investigações necessárias e adotar as medidas previstas na legislação para evitar a disseminação da doença. Também é fundamental contar com a colaboração dos produtores rurais, que devem comunicar ao Instituto qualquer sintoma suspeito em suas plantações. Precisamos proteger a citricultura acreana, que é uma importante fonte de renda para muitas famílias”.
Com informações da Agência de Notícias do Acre
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