Paraguai: Senadores questionam paradeiro de Santiago Peña
O paradeiro do presidente do Paraguai, Santiago Peña, virou motivo de questionamento entre senadores de oposição nesta quinta-feira (5). Enquanto o Congresso discute se aceita a renúncia anunciada pelo chefe do Executivo ou dá continuidade ao processo de impeachment, parlamentares afirmam não saber se ele ainda está no país. Durante as discussões, Peña chegou a ser comparado a Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição brasileira que deixou o país após o resultado.
A senadora Esperanza Martínez, do partido Frente Guasú, afirmou que Peña não poderia deixar o Paraguai sem autorização do Congresso caso o processo de impeachment continue. Ela também criticou a possibilidade de o presidente deixar o cargo por meio da renúncia e assumir uma cadeira de senador vitalício, o que, segundo ela, permitiria que ele deixasse o país sem responder às acusações.
“Vai pegar o avião que quiser, fazer o que fez [Flávio] Bolsonaro e ser recebido por algum governo amigo, e tem vários, e vai zombar de nós”, declarou Martínez durante manifestação no Congresso.
Pelo menos outros dois senadores também questionaram se Peña continua no Paraguai. Durante sessão nesta quinta-feira, o presidente do Senado afirmou que o Executivo não havia comunicado ao Legislativo qualquer viagem do chefe do Executivo.
Renúncia não encerrou crise
Peña anunciou sua renúncia nesta quinta-feira, em meio à crise provocada por denúncias de fraude envolvendo o Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do país, com 2,9 milhões de clientes.
Em pronunciamento publicado na rede X, o presidente justificou a decisão como uma tentativa de preservar a estabilidade do Paraguai, a paz social e as instituições democráticas.
A saída foi anunciada enquanto a Câmara dos Deputados analisava a abertura de um processo de impeachment. Mesmo após a renúncia, os parlamentares mantiveram a votação e aprovaram a medida por unanimidade, com 78 votos.
Agora, a decisão está nas mãos do Senado, que poderá aceitar a renúncia ou dar prosseguimento ao processo de destituição.
Destino político depende do Senado
A escolha terá consequências para a situação política e judicial de Peña. Caso seja alvo de impeachment, ele não poderá assumir o posto de senador vitalício, condição prevista para ex-presidentes paraguaios. O cargo permite participar dos debates no Senado, mas não votar.
Nesse cenário, Peña também ficará sujeito a um eventual processo criminal relacionado às denúncias apresentadas contra ele.
Se o Senado aceitar a renúncia e encerrar o processo de impeachment, por outro lado, o presidente poderá assumir a cadeira de senador vitalício, com imunidade parlamentar.
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