Gazeta do Povo
05/11/2026 19:07

Governistas abandonam votação sobre renúncia de Peña no Congresso e provocam impasse no Paraguai

paraguai peña

Parlamentares governistas abandonam sessão no Congresso do Paraguai e impedem votação definitiva sobre a renúncia de Santiago Peña. (Foto: Juan Pablo Pino/EFE)

A votação sobre a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, terminou em impasse nesta quinta-feira (5), depois que parlamentares governistas abandonaram a sessão do Congresso e provocaram a perda de quórum mínimo. A saída dos parlamentares impediu que o Congresso concluísse a análise da renúncia apresentada pelo mandatário horas antes, em meio à crise política e financeira desencadeada pela quebra do banco digital Ueno Bank.

Parlamentares do Partido Colorado deixaram o plenário durante uma sessão extraordinária que reunia deputados e senadores para decidir se aceitariam a renúncia apresentada por Peña. Após a saída dos governistas, as autoridades do Congresso realizaram uma contagem dos presentes e constataram que a Câmara dos Deputados não tinha mais o quórum mínimo de 41 parlamentares necessário para continuar os trabalhos. A sessão acabou sendo encerrada sem uma decisão definitiva sobre a saída do presidente. Parlamentares disseram que a sessão foi postergada para esta sexta-feira (6), outros afirmam que ela ainda deve ocorrer hoje.

O impasse ocorreu depois que a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra Peña. Os 78 parlamentares presentes na casa votaram favoravelmente à acusação do presidente, que agora depende de julgamento no Senado. Para destituir o presidente, serão necessários os votos de pelo menos 30 dos 45 senadores paraguaios.

Apesar da aprovação do impeachment, os parlamentares estão divididos sobre o destino da renúncia. Enquanto alguns integrantes do Partido Colorado defendem sua aceitação para acelerar a saída de Peña e permitir a posse do vice-presidente Pedro Alliana, setores da oposição e da própria legenda governista querem que o presidente seja destituído pelo Senado. A divergência envolve as eventuais consequências jurídicas das duas possibilidades. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes eleitos democraticamente têm direito a uma cadeira vitalícia no Senado, com direito a voz, mas sem voto, além de imunidades parlamentares. A proteção, no entanto, não é concedida aos presidentes destituídos por impeachment.

Parlamentares da oposição argumentam que aceitar a renúncia permitiria a Peña obter essas imunidades, o que poderia dificultar eventuais processos criminais relacionados ao escândalo do Ueno Bank. Já os governistas sustentam que a aceitação da renúncia evitaria prolongar a crise política e permitiria uma transição mais rápida no comando do país.

Peña anunciou sua saída nesta quinta-feira depois de perder o apoio de integrantes do próprio Partido Colorado, incluindo o ex-presidente Horacio Cartes, que passou a defender seu impeachment. O mandatário é alvo de questionamentos por suas antigas relações comerciais com o grupo controlador do Ueno Bank, instituição que entrou em processo de resolução determinado pelo Banco Central do Paraguai e deixou milhões de clientes com o acesso às contas comprometido.

Com a votação interrompida, a situação política de Peña e do próprio Paraguai permanece indefinida. Isso porque, segundo a Constituição paraguaia, a renúncia de um presidente precisa ser aceita pelo Congresso para produzir efeitos. Como os parlamentares não concluíram a análise do pedido, Peña continua oficialmente no cargo, apesar de ter anunciado sua saída. Dessa forma, o vice-presidente Pedro Alliana ainda não pode assumir definitivamente o comando do país, o que só deverá ocorrer após a formalização da saída de Peña, seja pela aceitação da renúncia ou por uma eventual destituição no Senado.

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Gazeta do Povo.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

TSE barra candidatos com base em diretriz feminista e gera debate jurídico
Gazeta do Povo
TSE confirma decisão baseada em protocolo de gênero para tornar candidatos inelegíveis. Entenda por que juris…
Presidência do Paraguai diz que Santiago Peña está no país, após rumores de viagem
Gazeta do Povo
O porta-voz da Presidência confirmou que Peña não deixou o território paraguaio, após circularem rumores de q…
Alguém dê um abraço no Lacombe, plmdds!
Gazeta do Povo
Mais do que uma provocação ao Lacombe, esta crônica é um apelo ao nosso otimismo pessimista. Ou seria pessimi…
Só o mandato é novo; todo o resto continuará igual a Lula 3
Gazeta do Povo
Alexandre Garcia comenta manutenção da atual política econômica de Lula, fuga de dinheiro estrangeiro da bols…
Cooperativas vinícolas da Serra Gaúcha modernizam produção e alcançam faturamento bilionário
Gazeta do Povo
Conheça a história das cooperativas da Serra Gaúcha que transformaram a produção familiar de uva em um setor …
Governador católico livra 548 condenados à morte da execução na Califórnia
Gazeta do Povo
Gavin Newsom comutou todas as sentenças de morte do estado para prisão perpétua, em decisão histórica elogiad…