POLÍTICA Alcolumbre permitirá que Flávio Bolsonaro vote mesmo morando nos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá continuar exercendo normalmente suas atividades parlamentares no Senado Federal, mesmo após deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não pretende criar obstáculos para a participação remota do parlamentar nas sessões semipresenciais.
A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, em sua coluna. Segundo a apuração, Alcolumbre permitirá que Flávio continue acompanhando as sessões virtualmente e registrando seus votos. Na última terça-feira, 3, por exemplo, o senador participou da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais bandeiras da campanha à reeleição do presidente Lula.
Tudo sobre Política em primeira mão!Flávio deixou o país clandestinamente após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes. A ordem foi expedida no dia seguinte à derrota eleitoral do candidato do PL.
A decisão de não restringir a atuação do parlamentar também está relacionada à interpretação de Alcolumbre sobre as prerrogativas dos integrantes do Senado. Um interlocutor do presidente da Casa, ouvido reservadamente pela coluna, afirmou:
“Alcolumbre defende as prerrogativas dos senadores, independentemente de ser esquerda ou direita”, diz um interlocutor do presidente da Casa. “Se ele saiu do país, fugiu, ou se autoexilou, não importa. Ele é um senador, não há processo de cassação contra ele nem decisão judicial que o impeça de exercer o mandato.”
Remuneração mantida
Além da possibilidade de continuar participando das atividades legislativas, Flávio deverá manter o recebimento de sua remuneração parlamentar. O salário mensal é de R$ 46.366,19, equivalente a US$ 8,46 mil na cotação atual do câmbio.
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O pagamento só deixaria de ocorrer caso uma decisão judicial determinasse o contrário. O mandato do senador termina em 31 de janeiro de 2027. Depois dessa data, ele ficará sem ocupar um cargo público pela primeira vez em 24 anos.
Apoio do PL entra na conta
A postura de Alcolumbre também passa por uma avaliação política. Em busca da reeleição à presidência do Senado, o parlamentar precisa construir apoios entre diferentes bancadas, incluindo integrantes do PL.
A legenda terá uma posição de força na composição da Casa a partir de 2027. Depois de eleger 19 senadores nas eleições deste ano e somar os parlamentares que ainda estão no meio de seus mandatos, o partido deverá alcançar 29 integrantes, formando a maior bancada do Senado.
Nesse cenário, criar um atrito com a sigla de Flávio Bolsonaro poderia prejudicar os planos de Alcolumbre.
Flávio ainda não comunicou saída
Até o momento, Flávio Bolsonaro não informou à Mesa Diretora do Senado sobre sua saída do Brasil e a viagem aos Estados Unidos.
Em carta divulgada no último dia 28, o senador afirmou que pretende continuar liderando a oposição, mesmo residindo fora do país.
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