Presidente do STJ da Bolívia deixa o país após ordem de prisão
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país nesta quinta-feira (5/11) após a emissão de uma ordem de prisão contra ele no âmbito de investigações sobre tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O magistrado, de 38 anos, alega ser vítima de perseguição política promovida pelo governo do presidente Rodrigo Paz e afirma ter tomado a decisão de sair do território nacional por temer ameaças de morte contra ele e sua família.
O Ministério Público boliviano confirmou que o juiz é alvo de pelo menos dois processos criminais em andamento. Diante da ausência de registros oficiais de saída nos postos de controle migratório, as autoridades suspeitam de uma travessia terrestre clandestina pela fronteira. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que o órgão formalizou o pedido de emissão de um alerta vermelho junto à Interpol para localizar e deter o presidente da alta corte.
Em manifestação publicada nas redes sociais, Saucedo negou qualquer envolvimento com atividades ilícitas e recusou-se a renunciar ao cargo exercido desde o início do ano passado. O magistrado justificou sua partida citando assassinatos recentes de autoridades judiciais no país e sustentou que retornará à Bolívia assim que existirem garantias de segurança institucional. Em resposta, o Pleno da Suprema Corte estabeleceu o prazo de seis dias para o retorno do titular antes de declarar a vacância da presidência e oficializar a substituição do comando da instituição.
A decretação da prisão de Saucedo ocorre no contexto de uma ampla ofensiva policial contra esquemas de corrupção e facilitação do narcotráfico enraizados na estrutura do judiciário boliviano. O caso desdobra-se após a detenção de outras figuras de peso no sistema de Justiça do país, incluindo o ex-procurador-geral Roger Mariaca, investigado por cumplicidade com organizações criminosas transnacionais após sanções impostas pelas autoridades dos Estados Unidos.
O governo boliviano rejeitou as acusações de perseguição política sustentadas pelo magistrado e vinculou sua fuga à desarticulação das redes de influência ligadas aos réus já detidos nas operações anteriores. O Palácio de Quemado declarou que as investigações prosseguem sob sigilo legal para identificar outros agentes públicos envolvidos nos esquemas sob apuração.
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