"Não é novidade para a história da política paraguaia", analisa professor sobre instabilidade
O especialista destacou as diversas crises que o Paraguai passou ao longo dos anos e citou outros casos de presidente renunciando
Por João Victor Dummar, Agência Brasil
Notícia
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Atualizado às 19:13, 05/11/2026 | Publicado às 19:12, 05/11/2026
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O professor Dr. Junior Ivan Bourscheid que leciona Ciência Política e Sociologia na Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila) comentou nesta quinta-feira, 5, sobre a situação de crise política e econômica que estourou no Paraguai. Em entrevista ao programa Debates do Povo, da rádio O POVO CBN, ele explicou que a renúncia de um presidente não é algo inédito na política paraguaia.
Nesta quinta-feira, 5, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio a uma crise bancária que chegou a congelar depósitos de três milhões de pessoas. Ao mesmo tempo da renúncia, o Congresso do país já discutia a abertura de um processo de impeachment contra Peña.
A crise no Paraguai foi causada após o colapso do banco Ueno, instituição digital que tem ligação com antigos sócios do político.
Segundo Bourscheid, o país já conviveu com várias crises históricas. Ele cita episódios nos anos de 1996, 1999, 2000, 2012, 2017 e a atual situação.
"Já tivemos presidente antes que renunciou, em um processo onde o vice-presidente havia sido assassinado. Já tivemos também a deposição do presidente Fernando Lugo também pelo processo de juízo político. Então, não é uma novidade para a história política paraguaia", comentou.
Crise bancária
A crise no Paraguai foi causada após o colapso do Banco Ueno. Junior lembra que Santiago Peña era acionista do Banco Ueno até 2025, tendo passado pelo menos 2 anos como associado e ocupando o cargo de presidente do país.
O professor comenta que a instabilidade começou no viés econômico/ bancário, mas escalonou para algo "muito maior" que escancarou as "fragilidades" que a política e a economia do país passam.
"Por isso toda essa problemática. Poderíamos dizer, 'bom, é uma questão de uma crise de um banco', mas se tornou uma crise econômica mais ampla, uma crise política muito profunda", acrescentou.
O Banco Central paraguaio iniciou nesta semana a dissolução do Ueno Bank, suspendendo operações e saques. A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco.
Comparação com Brasil
O especialista também comentou sobre as semelhanças e as diferenças entre a situação política do Brasil e do Paraguai.
Conforme Junior, a situação é muito diferente entre os dois países. "Muitos brasileiros começaram, já tem algum tempo, o que alguns chamam a quarta onda de migração de brasileiros para o Paraguai. Observando no Paraguai então uma possibilidade de maior estabilidade".
Ele aponta que essa nova crise mostraria a "situação real" que o Paraguai vem passando. "Fragilidades que o Estado paraguaio, que a política paraguaia e que a própria economia paraguaia sempre tiveram".
Ele lembra que o Brasil já viveu situações semelhantes de crise, mas que o Paraguai tem vivido os processos de forma muito mais "recorrente".
A economia foi outro ponto citado pelo professor, que afirma que a economia do Paraguai pode ser comparada com a de estados do Brasil.
Consequências econômicas
A crise financeira e política do Paraguai abala a reputação que o país vinha construindo de destino emergente da América do Sul para o capital estrangeiro, com repercussões sobre a economia local.
A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) destacou, em nota, que duas em cada três transações das grandes redes varejistas do país eram realizadas por contas do Ueno Bank.
Ocorrerá, sem dúvida, uma semiparalisação do mercado comercial no Paraguai e impacta também o cotidiano das famílias, disse o comunicado publicado na mídia local.
Saiba mais sobre a crise do Paraguai:
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