JUSTIÇA Reconhecimento facial ajuda a prender mais de 2 mil pessoas com mandados em aberto em MG
Mais de 2,5 mil pessoas com mandados de prisão em aberto foram localizadas e presas em Minas Gerais com o auxílio de sistemas de reconhecimento facial desde o início de 2025. A tecnologia, utilizada pela Polícia Militar de Minas Gerais (PM), identifica possíveis correspondências entre imagens captadas por câmeras de monitoramento e informações disponíveis nos bancos de dados da corporação, gerando alertas para as equipes que atuam nas ruas.
Segundo balanço divulgado pela PM, aproximadamente 70% das prisões estão relacionadas a mandados por crimes como tráfico de drogas, roubo, furto, homicídio, estupro e ameaça. Outros 17% envolvem pessoas procuradas por falta de pagamento de pensão alimentícia.
Um dos casos ocorreu em maio deste ano, na rua Curitiba, no Centro de Belo Horizonte. Um alerta emitido pelo sistema levou policiais até um homem procurado pela Justiça do Distrito Federal. Ele tinha sete mandados de prisão em aberto, que, somados, correspondiam a mais de 40 anos de prisão.
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Como funciona o reconhecimento facial?
O sistema opera de forma integrada ao videomonitoramento da PM. Câmeras instaladas em vias públicas captam imagens em tempo real, que são encaminhadas a uma central e comparadas com informações disponíveis nos sistemas da corporação.
Quando identifica uma possível correspondência com alguém que tenha mandado de prisão em aberto, a ferramenta envia um alerta às equipes em patrulhamento. Os policiais abordam a pessoa e conferem a situação antes de tomar as providências cabíveis.
Para o gestor de Pesquisa e Projetos da Diretoria de Tecnologias e Sistemas da PM, major Renato Farina Barreto, a principal contribuição da ferramenta é reduzir o tempo entre a identificação de uma pessoa procurada e a abordagem policial. "É uma ferramenta que complementa o trabalho que o policial já realiza diariamente nas ruas”, avalia.
Sistema pode ser usado em drones e robô
De acordo com a corporação, o reconhecimento facial começou como um projeto-piloto, com um número reduzido de câmeras, e foi ampliado ao longo de 20 meses. Atualmente, a PM trabalha na migração da ferramenta para uma nova infraestrutura de servidores, que também deverá atender a outros sistemas tecnológicos utilizados pela instituição.
Desenvolvido pela própria Polícia Militar, o sistema pode ser levado a diferentes regiões e utilizado em grandes eventos, sem a necessidade de instalar uma estrutura fixa em cada local. A tecnologia também pode ser integrada a equipamentos móveis, como drones e o cão robô adquirido recentemente pela corporação.
Segundo o major Barreto, o reconhecimento facial consegue identificar pessoas procuradas mesmo quando parte do rosto está encoberta ou quando elas usam acessórios como óculos, chapéus e bonés.
A PM também mantém aberto um chamamento público para integrar ao sistema câmeras de estações de ônibus, rodoviárias, metrô e unidades de saúde. A proposta inclui ainda equipamentos de empresas privadas que monitoram áreas de circulação pública, como shoppings, supermercados e drogarias.
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