Diário do Pará
05/11/2026 22:30

AUTOCUIDADOOutubro Rosa acabou, mas o alerta continua: quantos casos de câncer de mama são esperados no Pará? Estimativa do INCA acende alerta para a continuidade dos cuidados após o Outubro Rosa; acesso à mamografia, investigação de sintomas e acompanhamento médico são fundamentais para os próximos meses.

O encerramento do Outubro Rosa não significa que o alerta contra o câncer de mama deve diminuir. No Pará, a estimativa é de 1.320 novos casos da doença por ano, sendo 520 somente em Belém. Os números reforçam a necessidade de manter a prevenção, ampliar o acesso aos exames e garantir atendimento especializado também nos últimos meses de 2026.

A projeção integra as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê aproximadamente 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Diante desse cenário, a preocupação vai além das campanhas realizadas em outubro: é preciso preparar a rede de saúde para os diagnósticos que ainda podem surgir e garantir que mulheres com suspeita da doença consigam iniciar a investigação sem demora.

No Pará, esse desafio ganha uma dimensão ainda maior por causa das características geográficas do estado. Em municípios distantes dos grandes centros urbanos, o deslocamento por estradas e rios pode dificultar o acesso a consultas, exames complementares, biópsias e tratamentos oncológicos.

Por isso, a continuidade da assistência precisa estar entre as prioridades para o restante do ano. Além de procurar atendimento diante de alterações nas mamas, as mulheres devem manter o acompanhamento médico e buscar orientação sobre a necessidade de exames, considerando a idade, o histórico familiar e os fatores individuais de risco.

Câncer de mama em números

  • 1.320novos casos por ano no ParáEstimativa por ano
  • 520novos casos por ano em BelémEstimativa por ano
  • 78,6mil novos casos por ano no BrasilEstimativa do INCA, 2026 a 2028
  • 108mamógrafos na rede estadualSespa, outubro de 2026
  • 8hospitais de referência em tratamento oncológicoSespa, outubro de 2026
  • 9,2mil mamografias, ou mais, em ações itinerantesDe abril de 2025 a outubro de 2026

Mamografia aos 40 anos: o que muda para as mulheres?

Uma das principais discussões sobre o diagnóstico do câncer de mama em 2026 envolve a ampliação do acesso à mamografia a partir dos 40 anos. Com a atualização das orientações do Ministério da Saúde, mulheres nessa faixa etária, mesmo sem apresentar sintomas ou alterações suspeitas, podem realizar o exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante orientação profissional e decisão compartilhada sobre benefícios e possíveis riscos.

Já a recomendação de rastreamento populacional a cada dois anos permanece direcionada às mulheres de 50 a 74 anos. A diferença está na possibilidade de acesso ao exame para mulheres mais jovens, que podem discutir com os profissionais de saúde a necessidade de realizar a mamografia.

A ginecologista e obstetra Patrícia Penido, professora da pós-graduação da Afya Educação Médica Belém, destaca que a avaliação especializada deve considerar as condições de cada paciente.

“O cuidado especializado deve ser oferecido às mulheres com alterações nas mamas ou nos exames de imagem. A partir dessa avaliação, o profissional pode orientar sobre a periodicidade dos exames, considerando o risco individual, o histórico familiar e outros fatores de risco, como o tabagismo. Além disso, hábitos de vida saudável contribuem para reduzir o risco da doença, como a prática regular de atividade física”, explica.

A mamografia é um dos principais métodos para identificar alterações nas mamas antes mesmo do aparecimento de sintomas. Entretanto, a investigação não deve esperar a idade indicada para o rastreamento quando a mulher percebe algum sinal suspeito.

Câncer de mama pode aparecer antes dos 40 anos

Embora a maior parte dos diagnósticos ocorra em mulheres acima dos 50 anos, a doença também pode atingir pacientes mais jovens. Essa realidade exige atenção porque muitas mulheres com menos de 40 anos ainda não fazem mamografias de rotina.

Nessa faixa etária, reconhecer mudanças no corpo e procurar atendimento médico são medidas importantes para evitar atrasos no diagnóstico. Além disso, mulheres com histórico familiar precisam conversar com especialistas sobre a necessidade de acompanhamento diferenciado.

“O rastreamento mamográfico anual a partir dos 40 anos, pode ter indicação precocemente em mulheres com histórico familiar da doença, especialmente quando há casos em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmãs”, destaca Patrícia Penido.

A especialista também explica que nódulos benignos são mais comuns nessa fase da vida. Por isso, a avaliação médica permite identificar a natureza da alteração, orientar a realização de exames e estabelecer o acompanhamento adequado.

O que observar nos últimos meses do ano? Nódulos persistentes, alterações na pele das mamas, retração do mamilo, secreção espontânea e mudanças nas axilas precisam de avaliação profissional. Nódulos fixos ou endurecidos, crescimento progressivo e sinais de inflamação, como vermelhidão, também exigem atenção.

A professora da Afya Belém recomenda procurar atendimento especializado em ginecologia ou mastologia diante de qualquer alteração suspeita nas mamas ou axilas. A orientação vale independentemente da idade.

Pará tem 108 mamógrafos e oito hospitais de referência

A estrutura de atendimento disponível no estado também entra no debate sobre os próximos meses. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), em outubro de 2026, apontam que a rede estadual conta com 108 mamógrafos, 18 serviços de diagnóstico e oito hospitais de referência para tratamento oncológico.

Além disso, entre abril de 2025 e outubro de 2026, as ações itinerantes de saúde possibilitaram a realização de mais de 9,2 mil mamografias em diferentes regiões paraenses.

Os números mostram a presença de serviços e iniciativas para ampliar o atendimento. Entretanto, o desafio não termina com a realização da mamografia. Quando o exame identifica uma alteração suspeita, a paciente precisa conseguir avançar para as próximas etapas, que incluem consultas especializadas, exames complementares e, quando necessário, biópsia.

Para quem mora no interior, essa continuidade pode exigir viagens frequentes e gastos com transporte, alimentação e hospedagem. Consequentemente, a distância dos centros de referência pode interferir na rapidez da investigação e na permanência da paciente no tratamento.

O que fazer até o fim de 2026?

Com a previsão de novos diagnósticos e a necessidade de reduzir atrasos na assistência, os cuidados com a saúde das mamas precisam continuar depois do Outubro Rosa. A orientação é não esperar a próxima campanha para procurar atendimento.

Entre as principais medidas estão manter consultas regulares, conversar com um profissional sobre a indicação da mamografia, informar casos de câncer de mama na família e procurar avaliação diante de qualquer alteração suspeita. A prática de atividade física e a adoção de hábitos saudáveis também contribuem para reduzir fatores de risco.

O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo, conforme as características do tumor e o estágio da doença. Quanto mais cedo ocorre a identificação, maiores podem ser as possibilidades de tratamento e controle, além da chance de evitar procedimentos mais agressivos em determinados casos.

No Pará, o desafio para o restante de 2026 é fazer com que a prevenção se transforme em assistência contínua. Isso significa ampliar a oferta de exames, agilizar os encaminhamentos e garantir que mulheres de todas as regiões consigam chegar aos serviços especializados.

O Outubro Rosa termina, mas os números projetados para o estado mostram que o cuidado não pode ficar restrito a um mês. A atenção à saúde das mamas precisa continuar durante todo o ano, com informação, acompanhamento médico e acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento.

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