Lula defende responsabilidade fiscal em meio à desconfiança do mercado

Lula afirma que a economia precisa estar “arrumada” para atrair investimentos em meio à pressão do mercado por ajuste nas contas públicas. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira (5) enfatizou a necessidade de estabilidade econômica para atrair investimentos privados e estrangeiros para o país. A declaração ocorre em meio a desconfiança do mercado financeiro sobre a capacidade do governo realizar um ajuste nas contas públicas.
“Se quisermos atrair capital, temos que ter seriedade. As pessoas vão colocar dinheiro aqui se eles perceberem que o investimento vai criar o benefício para os objetivos deles e ao mesmo tempo gerar retorno financeiro para os seus investimentos”, declarou o presidente durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos.
Na visão de Lula, a credibilidade internacional do Brasil depende do equilíbrio de suas contas: “É por isso que nós temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que nós temos que ter responsabilidade fiscal”, pontuou Lula, alertando que “ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada”.
Ao detalhar a estratégia para os minerais críticos, Lula assegurou que o governo não pretende ser o “senhor supremo da exploração e da transformação”, mas sim construir alianças estratégicas com empresas e nações parceiras.
O objetivo do conselho é romper com o histórico de exportação de matéria-prima bruta para garantir a industrialização em território nacional. No mesmo discurso, o presidente relembrou privatizações passadas de empresas estratégicas, como Vale e Eletrobras, classificando-as como ausência de um projeto de país.
As falas de Lula coincidem com um momento de maior cautela do mercado financeiro e de cobranças por medidas de controle de gastos públicos. Também nesta quinta-feira (5), o presidente reuniu ministros e integrantes da equipe econômica após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de interromper a trajetória de queda e manter a taxa Selic em 13,75%.
O Banco Central justificou a manutenção dos juros pela alta nas expectativas de inflação, movimento refletido no Boletim Focus, que elevou a projeção do IPCA de 2026 para 5,22%, acima do teto da meta. Após o encontro no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a reunião não definiu medidas de corte específicas.
Durigan declarou que “não há fórmula mágica” e reiterou que o compromisso da pasta é manter e reforçar o cumprimento das regras fiscais vigentes para assegurar previsibilidade e equilíbrio.
Um levantamento com projeções fiscais e cenários macroeconômicos deverá ser apresentado pela Fazenda e pelo Ministério do Planejamento a Lula logo após seu retorno da viagem à conferência climática COP31, na Turquia.
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