PARCERIA COM A USPMelgaço terá projeto de saúde que vai acompanhar 400 crianças e gestantes até 2029 Iniciativa em Melgaço, com apoio financeiro da Sanofi, prevê capacitação de profissionais, atendimento a famílias ribeirinhas e prevenção de doenças respiratórias na primeira infância.
O arquipélago do Marajó, no Pará, receberá uma iniciativa voltada ao fortalecimento da saúde materno-infantil e à prevenção de doenças respiratórias em crianças. Coordenado pelo Grupo de Estudos em Vulnerabilidade, Governança e Cidadania, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o Projeto Vozes do Marajó será desenvolvido em Melgaço, município que apresenta o menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil.
Com apoio financeiro da Sanofi, a iniciativa começará as atividades em campo em fevereiro de 2027. A previsão é manter as ações até 2029, reunindo pesquisa científica, atendimento nas comunidades, acompanhamento de famílias e capacitação de profissionais da rede pública de saúde.
O projeto pretende acompanhar aproximadamente 400 crianças e gestantes em situação de vulnerabilidade. Além disso, prevê o mapeamento territorial e ambiental das residências de 20 comunidades ribeirinhas e a formação continuada de pelo menos 40 profissionais da atenção primária à saúde de Melgaço.
A proposta busca ampliar o acesso à prevenção, facilitar a identificação precoce de problemas respiratórios e melhorar a continuidade do atendimento. Para isso, as equipes realizarão consultas, ações preventivas, avaliações das condições ambientais das moradias e verificações da situação vacinal dos pacientes.
Desafios da saúde em comunidades ribeirinhas
A localização geográfica de Melgaço representa um dos principais desafios para a assistência à população. Em diversas comunidades, o deslocamento acontece predominantemente por via fluvial. Consequentemente, as equipes de saúde enfrentam dificuldades para chegar aos moradores, manter o acompanhamento dos pacientes e garantir o abastecimento de materiais essenciais.
Os indicadores de saúde também reforçam a necessidade de iniciativas voltadas à prevenção. Dados do Ministério da Saúde apontam que as internações de crianças menores de 10 anos por doenças do aparelho respiratório em Melgaço aumentaram 187,5% entre 2010 e 2019.
Diante desse cenário, o Projeto Vozes do Marajó pretende fortalecer a estrutura de atendimento existente e desenvolver estratégias que considerem as particularidades sociais, ambientais e territoriais da região.
A iniciativa também busca produzir conhecimentos científicos que possam contribuir para políticas de saúde em outras áreas da Amazônia e em territórios vulneráveis do Sul Global.
“O Projeto Vozes do Marajó e sua plataforma de governança nasce para construir, a partir da Amazônia brasileira, um laboratório de implementação em saúde capaz de gerar evidências aplicadas e modelos replicáveis para outros territórios em vulnerabilidade. Essa parceria une conhecimento acadêmico, compromisso territorial e a confiança construída ao longo do tempo”, destaca Pedro Docema, coordenador do projeto e da plataforma de governança do Marajó, da USP.
Pesquisadores voluntários podem participar
Além das atividades de atendimento e acompanhamento, o projeto prevê a participação de estudantes e jovens pesquisadores de diferentes regiões do Brasil.
O Grupo de Estudos em Vulnerabilidade, Governança e Cidadania convoca interessados em integrar a iniciativa científica. Os participantes atuarão em conjunto com as equipes responsáveis pelo acompanhamento das famílias e pelo fortalecimento da rede municipal de saúde.
As pesquisas também considerarão fatores que influenciam diretamente as condições de vida da população. Entre os temas previstos estão condições de moradia, saneamento básico, exposição ambiental, direitos humanos, violência contra as mulheres, implementação de políticas públicas e desenvolvimento social.
Os interessados deverão preencher o formulário de inscrição disponibilizado no site do Instituto de Estudos Avançados da USP.
Parceria com autonomia científica da USP
A estrutura do Projeto Vozes do Marajó estabelece uma divisão de responsabilidades entre as instituições envolvidas. O IEA-USP ficará responsável pela concepção, execução, governança científica e interpretação dos resultados.
Já a Sanofi fornecerá apoio financeiro à iniciativa, especialmente para as atividades relacionadas à saúde respiratória. A empresa receberá relatórios anuais de acompanhamento, enquanto a universidade manterá a autonomia acadêmica e científica sobre o desenvolvimento das pesquisas.
“Ampliar o acesso à saúde exige compreender as barreiras que fazem parte da vida das pessoas e trabalhar em conjunto para enfrentá-las. Por meio do apoio ao Projeto Vozes do Marajó, buscamos contribuir para fortalecer o cuidado de crianças e gestantes, apoiando os profissionais locais e a construção de soluções que respondam às necessidades do território. É uma forma de traduzir nosso compromisso com a saúde em ações concretas, com continuidade e impacto”, afirma Fernando Sampaio, presidente da Sanofi Brasil.
Ao longo da implementação, o grupo de pesquisa também produzirá bases de dados, artigos científicos e relatórios técnicos. O objetivo é consolidar um modelo de governança em saúde que possa ser aplicado em outras regiões com dificuldades semelhantes de acesso aos serviços públicos.
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