Política06 de novembro de 2026Sob pressão, Lula passa a defender responsabilidade fiscal
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 00h00

O presidente Lula (PT) defendeu na quinta-feira (5) responsabilidade fiscal em seu governo e disse que, para atrair investimentos, a economia do país precisa estar “arrumada”. As declarações do petista ocorreram em reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos e horas após ele se reunir com economistas para debater o rumo da economia no país, num momento em que é pressionado por ajuste fiscal.
Em sua fala, Lula disse que não quer que o Estado “seja o senhor supremo da exploração, da transformação e da industrialização” e defendeu a necessidade de construir parcerias com outros países para a exploração desses minerais críticos.
“Se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade (...) é por isso que temos que ter responsabilidade jurídica, é por isso que temos que ter responsabilidade fiscal e é por isso que a gente não pode brincar de fazer parcerias. Esse projeto da criação do conselho é um instante de muita seriedade desse país.”, disse Lula.
As declarações do chefe do Executivo ocorrem horas após o petista se reunir com aliados e economistas para discutir os rumos do país. O presidente convocou uma reunião no Palácio da Alvorada com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad e economistas, em meio às discussões sobre novas medidas de ajuste fiscal.
Integrantes do governo afirmam que essa é a primeira rodada de encontros em que Lula pretende ouvir opiniões sobre a conjuntura econômica do país. A expectativa é de novas reuniões ouvindo outros economistas e também empresários.
O encontro foi marcado de última hora por Lula e não está na previsão da agenda presidencial. A reunião ocorreu também um dia depois do Banco Central interromper o ciclo de corte de juros na quarta-feira, ao manter a Taxa Selic em 13,75% ao ano.
Pronunciamento
Lula gravou um pronunciamento para ser exibido em rede de rádio e televisão no próximo domingo. O presidente deve evidenciar que está preocupado com a trajetória de crescimento da dívida pública e reforçar seu compromisso com o cenário de melhora nos resultados primários previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A ideia é mostrar que o governo vai trabalhar para criar condições para a queda de juros, o que ajuda a conter a dívida, mas sem abdicar dos compromissos sociais do governo. Segundo relataram interlocutores do governo, não está previsto anúncio de medidas específicas e a ideia do pronunciamento é ser algo bem mais amplo do que a agenda econômica, um discurso de pacificação e agradecimento pela vitória nas urnas.
Efetivamente, Lula tem discutido com seus principais auxiliares medidas para fortalecer o cenário de alcance da trajetória fiscal indicada na LDO – que prevê um superávit de 0,5% do PIB em 2027 –, sem prescindir dos compromissos sociais.
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