Natal06 de novembro de 2026Comerciantes cobram conclusão de obra no Centro após nova paralisação
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 00h00

O comerciante Márcio Ribeiro acompanha diariamente o andamento da obra de requalificação da Rua João Pessoa, na Cidade Alta, em Natal. Depois de anos de intervenções, interrupções e retomadas, ele conhece cada etapa dos trabalhos e aguarda a conclusão do serviço, que ainda depende da instalação da cobertura e da finalização do piso e das calçadas. Quando isso vai acontecer, porém, ele não sabe. “Começou há cinco anos, parou, recomeçou há pouco mais de um ano, parou de novo e falta finalizar, instalar as calhas, as telhas, para outra empresa vir construir o piso, a calçada”, relata.
A demora, segundo ele, tem alimentado o desânimo entre os comerciantes e afastado consumidores do Centro. Em agosto deste ano, a Prefeitura de Natal informou que a obra estava com aproximadamente 70% de execução e previa concluir os serviços até dezembro. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) anunciou que a etapa entre a Rua Princesa Isabel e a Avenida Rio Branco receberia intervenções na infraestrutura subterrânea de iluminação e telecomunicações, além da requalificação das calçadas. A previsão também incluía a instalação de uma área coberta e de um espaço para apresentações artísticas.
O cenário encontrado agora pelos comerciantes, no entanto, não corresponde à expectativa de entrega anunciada. O trecho ainda em obras contrasta com a parte da Rua João Pessoa em direção à Avenida Deodoro da Fonseca, onde os serviços já foram concluídos. A diferença reforça a cobrança por uma solução para o segmento que permanece inacabado.
Para o presidente da associação Viva o Centro, Rodrigo Vasconcelos, a demora demonstra falta de prioridade do poder público com a região. Ele afirma que a situação compromete mais um período de vendas de fim de ano e aumenta a insegurança dos lojistas na hora de investir em estoques.
“Mais um final de ano prejudicado! Inclusive, tem muitos comerciantes falando em fechar em 2027. Não vão aguentar essa nova fase do comércio, no que diz respeito à reforma tributária, à escala de trabalho e à falta de investimentos no centro comercial”, afirma.
Rodrigo Vasconcelos avalia que a obra inacabada também deixa os consumidores em dúvida sobre as condições das lojas. “A gente sempre fica com esperança de aumentar as vendas no final de ano. Mas notícias como essa, de obra paralisada, deixam o cliente em dúvida se vai encontrar o que precisa”, diz.
Segundo ele, enquanto alguns comerciantes evitam ampliar os estoques, outros continuam investindo na expectativa de que o público retorne, mas correm o risco de acumular prejuízos caso o movimento não aconteça. O dirigente também questiona a informação divulgada pelo titular da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Felipe Alves, sobre a conclusão da parte sob responsabilidade da pasta.
Em publicação nas redes sociais, o secretário destacou a implantação da infraestrutura de cabeamento e a retirada dos postes de iluminação, acompanhadas da instalação de 21 refletores no trecho entre a Rua Princesa Isabel e a Avenida Rio Branco. Para Rodrigo Vasconcelos, porém, a retirada dos postes não teria sido concluída em toda a extensão mencionada por ele. “Não retiraram os postes da rua toda. Falta ainda a parte da Princesa Isabel até a Deodoro. Tudo ficou pronto e eles não finalizaram. É mais uma informação pela metade”, afirma.
Márcio Ribeiro também relaciona a demora à perda de atratividade da Cidade Alta. “A percepção que temos é de desânimo, porque não vemos essa obra ser concluída. Precisamos revitalizar o Centro da cidade para voltar a atrair as pessoas para o comércio e para as moradias. O Centro está morrendo e isso é muito triste. Isso afasta as pessoas”, diz.
Ele acrescenta que a presença de pessoas em situação de rua durante a noite também é uma preocupação para quem trabalha na região.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) informou que foi responsável pela elaboração do projeto de requalificação, enquanto a execução ficou a cargo da Semsur e da Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU). Procurada, a Semsur afirmou que a etapa atual é de responsabilidade da STTU, que, até o fechamento desta edição, não havia respondido aos questionamentos sobre o andamento dos serviços nem apresentado uma nova previsão de conclusão.
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