Artigo Nordestino, por raiz e por alma
Artigo

Alberto Rostand Lanverly – presidente da Academia Alagoana de Letras | 05/11/2026 às 23h33
Outro dia, ao ler o poema Eu Nordestino Confesso, de José Geraldo Marques, sócio efetivo da Academia Alagoana de Letras, senti que seus versos despertavam paisagens adormecidas em minha alma.
Tenho atravessado oceanos, contemplado montanhas cobertas de neve, conhecido cidades milenares e admirado culturas distantes. Entretanto, nenhuma dessas maravilhas conseguiu apagar de minha memória o azul do mar nordestino, o verde dos coqueirais acariciados pelo vento ou o dourado das tardes em que o sol parece despedir-se lentamente de nossa terra.
Mas o Nordeste é muito mais que suas paisagens. Sua maior beleza mora na alma de sua gente. Na mão estendida, no café repartido, na porta que se abre ao desconhecido e na generosidade de quem, mesmo possuindo tão pouco, encontra sempre alguma coisa para oferecer.
No sertão, onde a terra ressequida aguarda pacientemente a chuva, vive um povo que aprendeu a semear esperança. É uma fé que habita as pequenas capelas, acompanha as procissões e repousa nas orações das mães ao anoitecer. E há também a alegria desse povo, que floresce nas feiras, ganha voz nas sanfonas e se eterniza nos versos dos poetas. Uma alegria que conhece a tristeza, mas insiste em cantar.
Shorts Youtube

Copa Rainha Marta 2026 - 05/11/2026

Presidente nacional do PSDB destaca JHC em estratégia de fortalecimento da sigla

Justiça Eleitoral multa candidato que gravou vídeos durante a campanha na Ufal

Renato Filho cogita disputar Prefeitura do Pilar em 2028 e expandir domínio para Atalaia

CRB de volta a Maceió - 04/11/2026
O Nordeste é ainda a terra das lembranças. Dos avós sentados à porta, das conversas ao entardecer, dos quintais onde a infância parecia eterna e das ruas que, embora transformadas pelo tempo, permanecem intactas dentro de nós.
Hoje compreendo que minhas viagens não me afastaram das origens. Ao contrário, ensinaram-me a amá-las ainda mais. Cada horizonte descoberto tornou mais precioso o horizonte de minha infância. Cada povo conhecido fez crescer minha admiração pela gente de minha terra.
Sou nordestino. E pronuncio essa confissão com a ternura de quem recorda a voz da própria mãe, com a gratidão de quem reconhece suas raízes e com o orgulho sereno de quem sabe a que chão pertence.
Porque, depois de atravessar tantos mares, descobri que o mundo pode oferecer infinitos lugares para meus olhos admirarem, mas somente o Nordeste possui o endereço de minha alma.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
