OUTRO LADO Família de jovem degolado em Uiramutã afirma que ele possuía transtornos mentais Os suspeitos, E.C, de 63 anos, e F.C, de 25 anos, que são pai e filho, tiveram a prisão preventiva decretada
A família de José da Silva Santana, de 25 anos, que foi degolado e teve o corpo parcialmente carbonizado na Comunidade Indígena Caracaranã, em Uiramutã, afirma que o jovem possuía transtornos mentais e fazia uso de medicação controlada.
Conforme Maria Lúcia da Silva Santana, de 43 anos, em entrevista à FolhaBV, o irmão saiu da Comunidade Pedra Preta, onde residia, no dia 2 de novembro em direção à comunidade Makukén, que realizava uma festa.
“Ele chegou a noite e foi detido por moradores da Comunidade Caracaranã. Enquanto ele estava detido, chegaram a acusá-lo de uma morte, mas sem saber se realmente tinha sido ele. Nesse momento, o pai e o filho [suspeitos do crime] não estavam presentes, pois são da Comunidade Flexal”, explicou.
Ainda conforme o relato, a vítima pode ter sido embriagada com caxiri (bebida alcoólica indígena). “Há vídeos que mostram que deram caxiri ao José e o fizeram assumir que era o ‘rabudo’. Como ele possuía transtornos mentais, apenas foi confirmando o que diziam. Chegaram a chamar a polícia, mas como não encontraram indícios, ele foi liberado”, complementou.
O crime pode ter ocorrido no momento em que a vítima retornava para casa, pois, segundo Maria Lúcia, a família não sabe se José foi entregue aos suspeitos ou se eles o abordaram no caminho. “Eles já chegaram a atirar e a cometer todas as crueldades. Há pessoas que disseram que não era para terem feito isso, e testemunhas afirmam que o meu irmão não reagiu”, disse.
Sobre a acusação de José ser o “rabudo”, Maria afirma que ele não era a entidade. “Ele não era essa entidade, vão ter que provar. Ninguém nunca viu um. Nunca vimos isso na nossa comunidade”, alegou.
Justiça
A familiar destacou que vai buscar justiça. “Vamos provar que ele era um jovem inocente. Queremos justiça em nome de toda a família, do município e da região; isto não pode ficar assim. No vídeo, o homem que fez isto diz que não é a primeira pessoa a quem faz isto. Situações como esta não podem virar rotina para esse homem, como se fossem algo normal”, finalizou.
Prisão
Os dois suspeitos, identificados como E. C., de 63 anos, e F. C., de 25 anos, foram presos e, após passarem por audiência de custódia, tiveram as prisões preventivas decretadas. Foram encaminhados para a Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (PAMC), onde permanecerão à disposição da Justiça.
A polícia chegou aos suspeitos após um deles se apresentar espontaneamente a uma guarnição policial e detalhar a sua participação e a do pai no homicídio. Segundo o depoimento, a dupla conduzia a vítima a partir da Comunidade Flechal quando José terá tentado fugir. Nesse momento, o filho disparou uma espingarda contra a cabeça do homem, que caiu no chão.
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