Oportunissimamente

Para além de oportuna e arrasadora, a derrota do presidente Trump veio a tempo de se evitar o pior.
Nas eleições presenciais de 2026, aqui no Brasil, só uma única e isolada preocupação me movia politicamente: a de assistir, novamente, à eleição de um bolsonarista para presidir o nosso país. Afinal de contas, o chefe do clã, Jair Bolsonaro, quando nos presidiu, havia feito uma gestão absolutamente desastrosa e, portanto, não seria o seu filho, Flávio Bolsonaro, que iria resgatá-lo da má fama que o mesmo havia adquirido.
Eu, pela segunda vez, sem ser petista, votei no candidato Lula — atitude em que jamais havia pensado. Afinal de contas, como tinha tido a oportunidade de conviver com o então deputado federal Jair Bolsonaro, quando o mesmo pertencia ao meu partido, o PP, dele passei a ter as piores impressões.
Nas reuniões das terças-feiras presididas pelo PP, como sempre, o deputado federal Jair Bolsonaro chegava atrasado; e, enquanto presidente do PP, o senador Jarbas Passarinho escolhia a dedo os assuntos de maior importância e ainda acrescia: “antes dele chegar”. Dele quem? O irreverente Jair Bolsonaro.
Guardadas as devidas proporções, a recente derrota do presidente Donald Trump e a derrota do candidato Flávio Bolsonaro se somam, tanto em favor da paz mundial quanto da nossa própria, posto que, de sujeitos notoriamente beligerantes, boas coisas não poderemos esperar.
Ao abusar dos seus poderes, sobretudo porque dispunha de maioria no seu Senado e na Câmara dos Deputados, o presidente Donald Trump fazia tudo o que lhe vinha à telha e, ao invés de acabar com as guerras que se espalhavam por todos os cantos e recantos, sempre as alimentava.
Ao invadir a Venezuela e sequestrar o seu presidente Nicolás Maduro, nada poderia ser mais desrespeitoso à autodeterminação dos países, ainda que o ditador Nicolás Maduro fosse um abominável tirano.
Doravante, com o seu partido, o Republicano, minoritário tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados, muito provavelmente só restará ao presidente Donald Trump se tornar um “pato manco”, como assim são denominados os presidentes que são derrotados nas chamadas eleições de meio de mandato.
E o que têm a ver os bolsonaristas, sobretudo aqueles que integram a família Bolsonaro, com a recente derrota de Donald Trump? Certamente, os EUA deixarão de ser o refúgio consentido e aprazível dos seus filhos, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, e eles não mais poderão contar com a proteção da mais importante potência mundial.
De uma coisa tenhamos a mais absoluta certeza: Jair Bolsonaro e Donald Trump se merecem.
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