CINEMA Curta de Kleber Mendonça Filho sobre Jafar Panahi abre 36º Cine Ceará
"Sul do Teerã", novo curta de Kleber Mendonça Filho, aborda a resistência de Jafar Panahi diante da censura no Irã (Foto: Divulgação)
Uma comitiva de peso do cinema pernambucano abre os caminhos do 36º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. Neste sábado (7), a partir das 19h, a produtora Emilie Lesclaux e o cineasta Kleber Mendonça Filho serão homenageados por suas contribuições ao audiovisual brasileiro em solenidade no Cineteatro São Luiz — o "primo cearense" do nosso Cinema São Luiz.
Nos próximos dias, a trajetória da atriz Ísis Valverde também será celebrada. O Diario, mantendo sua tradição de cobrir os principais festivais do país, acompanhará de perto esta edição, que colocará em cartaz mais de 45 filmes, entre curtas e longas-metragens em mostras competitivas e paralelas.
A sessão de abertura apresenta, em exibição especial fora de competição, o curta-metragem “Sul do Teerã”, dirigido pelo próprio Kleber Mendonça. Ele investiga a trajetória do cineasta iraniano Jafar Panahi (diretor de “Foi Apenas Um Acidente”), propondo uma reflexão sobre os impactos da censura e da perseguição política em seu país de origem.
Dando continuidade aos trabalhos, a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem tem a largada com “Terra Firme”, ficção assinada por Alexandre Vale. A trama gira em torno do vínculo silencioso entre o menino Juca e o pescador Zé Cangulo. Os dois vivem em uma vila litorânea esquecida pelo tempo, até que veem surgir uma possibilidade de recomeço.
A principal categoria do festival conta com mais um representante brasileiro: o documentário “Trapiá, Um Outro Sertão”, de Bertrand Lira. Ao todo, a mostra competitiva reúne seis produções que utilizam vivências particulares para mergulhar em temas universais, como memória, identidade, relações humanas e transformações sociais.
Completam a lista dos concorrentes os longas “Sob o Mesmo Sol” (República Dominicana-Espanha, Ulises Porra), “Nunkui” (Equador-Chile-Alemanha, Verenice Benítez), “Eu não morrerei de amor” (Espanha-Bélgica, Marta Matute) e “Não Há Ida Sem Retorno” (Peru, Carlos Sánchez Giraldo).
Se estivesse vivo, o saudoso Belchior celebraria 80 anos de vida e, como justa homenagem, é um dos principais eixos desta edição. A estrela do músico cearense brilha em dose dupla nas exibições especiais do circuito.
Um dos destaques é o longa-metragem ficcional “Viver é melhor que sonhar”, de Eduardo Albergaria, que desvenda os anos mais misteriosos da trajetória do cantor marcados por sua renúncia à vida pública e seu isolamento voluntário com Edna.
Já o documentário “Alucinação”, de Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, faz uma releitura visual do clássico disco lançado pelo artista em 1976, valendo-se de uma proposta arrojada: tocar a obra de ponta a ponta na tela, injetando cores e novas camadas conceituais às canções.
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