Santiago Peña pede 72h para apresentar defesa contra impeachment, diz TV
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu ao Senado uma prorrogação de 72 horas para apresentar a defesa no processo de impeachment contra ele, em meio a uma crise gerada pelo fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas no país.
O Senado do Paraguai retomaria na manhã desta sexta-feira (6) a sessão que analisa o pedido de impeachment. A Casa iniciou as discussões sobre o caso na noite de quinta-feira (5), horas após a Câmara de Deputados aprovar a remoção do presidente do poder por unanimidade.
Segundo a emissora local ABC, o político do partido Colorado usou, no pedido, o argumento de que um período de menos de 12 horas era “insuficiente”. Ele diz ter recebido a notificação às 22h15 de quinta-feira.
As decisões do Congresso do Paraguai acontecem em meio às acusações de que Peña estaria envolvido em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que fechou as portas na terça-feira (3), afetando milhões de cidadãos.
Parlamentares acusam o presidente de negligência no cumprimento do dever devido ao colapso da instituição. Autoridades afirmam que cerca de três milhões de clientes foram afetados, sem acesso às contas.
Renúncia negada
O Congresso do Paraguai rejeitou na quinta-feira (5) a renúncia do presidente Santiago Peña, que havia anunciado que deixaria o cargo para evitar o processo parlamentar.
Membros da oposição explicaram que eram contra a medida para evitar que Peña tenha foro privilegiado. O Ministério Público paraguaio abriu uma investigação contra o mandatário, que era sócio da empresa controladora do Ueno Bank, que tem sido chamado de “Master paraguaio”, até março do ano passado.
Durante o debate sobre o assunto no Congresso, a senadora opositora Yolanda Paredes afirmou que aceitar a renúncia transformaria “um ladrão em senador vitalício”, com foro parlamentar para escapar da Justiça.
Esse processo também dividiu o partido de Santiago Peña, o Colorado.
O deputado Roberto González, por exemplo, negou-se a aceitar a saída do presidente, mas o senador Gustavo Leite defendeu a renúncia, alertando sobre as consequências de prolongar o trâmite parlamentar. “O processo de impeachment será um circo”, alegou.
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O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
Câmara rejeita impeachment de vice-presidente
Também nesta quinta-feira, a Câmara de Deputados do Paraguai rejeitou o impeachment de Pedro Alliana, vice-presidente do país.
Foram 48 votos pela rejeição e 30 a favor. Agora, ele está posicionado para assumir o governo paraguaio.
Aos 52 anos, Alliana acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo.
Foi governador entre 2008 e 2012 e atuou na Câmara dos Deputados entre 2013 e 2023.
Nesse período, assumiu a presidência da Casa em diferentes momentos, além de liderar o Partido Colorado, a principal força política do país, entre 2015 e 2023.
Na cadeira de vice, Alliana tem acumulado funções relacionadas à política externa do Paraguai.
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