Bancada do PT mineiro prega 'união' e quer 'ministério de peso'
Um maior espaço dos petistas mineiros na Esplanada dos Ministérios, a partir de 2027, vem sendo cogitado nos bastidores desde o final da eleição presidencial. Repetindo a movimentação nacional, Lula virou sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais e garantiu a reeleição para uma quarta gestão. Na reunião das bancadas, conforme relatos obtidos pela reportagem, o discurso foi de que a legenda, conhecida por embates entre as diferentes correntes no estado, esteja unida para conseguir uma pasta de credenciais importantes na composição da nova equipe ministerial de Lula.
Há um entendimento e um discurso unânime de que a decisão final, de qual espaço será concedido a Minas, caberá exclusivamente ao presidente Lula. “A bancada tem unidade e expectativa em ocupar um espaço na esplanada para ajudar o presidente Lula, mas a decisão é do presidente reeleito com muita legitimidade para o 4º mandato”, frisou o deputado federal Reginaldo Lopes.
Ainda assim, parlamentares petistas citam como exemplos os Ministérios da Cidade e Cultura e a Secretaria de Relações Institucionais - que tem status ministerial - como opções para que os mineiros sejam contemplados. Até mesmo a futura pasta de Segurança Pública, que ainda será criada por Lula, é citada.
A tendência é de que as conversas amadureçam nas próximas semanas, em meio as tratativas da executiva nacional do PT e do próprio Lula com outras legendas, fora do arco de alianças eleitorais da campanha, para possíveis composições na Esplanada dos Ministérios. Na última quarta-feira, por exemplo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, abriu diálogo com Baleia Rossi, que comanda o MDB no país.
Pés no chão
Entre os deputados do PT em Minas, há um entendimento que novamente Lula terá de fazer concessões a partidos posicionados no centro e na centro-direita, cenário que dá aos mineiros uma sensação de “pés no chão”. “Quem pedir muito neste momento pode acabar ficando sem nada”, resumiu uma fonte da legenda, reservadamente. Atualmente, Minas só tem um representante na equipe ministerial e que não pertence ao PT.
Trata-se do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que atuou na coordenação da campanha do petista. A deputada estadual reeleita, Macaé Evaristo, foi a única integrante do PT no alto escalão. Ela ocupou o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania entre setembro de 2024 e março de 2026, quando retornou à ALMG para buscar a reeleição.
Para 2027, entre os nomes cogitados nos bastidores aparecem o do deputado federal Reginaldo Lopes, da própria Macaé Evaristo, do deputado federal Patrus Ananias, derrotado por Cleitinho Azevedo (Republicanos) na disputa ao governo de Minas Gerais, e o da senadora eleita Marília Campos - este último, menos provável, segundo interlocutores.
A ex-prefeita de Contagem encerrou um tabu, ao ser a primeira senadora eleita pelo PT em Minas Gerais desde a redemocratização, cenário que, na avaliação de petistas, poderia dificultar a entrada em ministérios. Outro fator que pesa pela manutenção no Senado é a formação da Casa, que terá o PL com o maior número de cadeiras.
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