‘Não dá para inventar ou copiar um Cleitinho’, diz marqueteiro
O marqueteiro mineiro Alberto Lage, autor do livro “Cabeça de Candidato”, avalia que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), é um caso raro, uma figura política que extrapola a capacidade de criação do marketing político. “Não dá para inventar um Cleitinho. Ali não foi marketing político”, disse.
Ele vê na trajetória pessoal e na autenticidade do futuro governador mineiro a principal explicação para o sucesso eleitoral que o levou ao comando do Estado.
Em entrevista ao quadro Café com Política, de O TEMPO, exibido nesta sexta-feira (6/11), Lage afirmou que a campanha de Cleitinho foi uma exceção no cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, a força da candidatura não veio de uma estratégia de comunicação capaz de fabricar um personagem, mas de uma imagem construída ao longo dos anos e que encontrou identificação com o eleitor mineiro.
“Não se fabricam Cleitinhos. Tem uma trajetória. Desde que ele era vereador de Divinópolis que a gente já consumia conteúdo dele, às vezes até contra a nossa própria vontade”, brincou, em referência à presença do político nas redes sociais.
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Para o marqueteiro, a eleição mineira praticamente não ofereceu espaço para as estratégias tradicionais de marketing político. Ele conta que profissionais experientes e com grandes estruturas apostaram em campanhas capazes de produzir resultados expressivos, mas não conseguiram alterar o cenário eleitoral.
“Ali foi uma campanha que não houve espaço para o marketing político. E eu vi muito marqueteiro experiente, rico, dizendo que iria operar milagres naquela eleição. E não aconteceu rigorosamente nada. Em Minas, não aconteceu nada”, avaliou.
Lage considera que Cleitinho construiu uma relação de proximidade com o eleitor que dificilmente seria reproduzida artificialmente por outro candidato. Ele descreve o senador como uma figura simples, autêntica e que desperta carinho em parte significativa do eleitorado.
“Marketing político é uma atividade extrativista. Você tem que buscar tanto no eleitor quanto no candidato o que der para achar ali, lapidar e tentar fazer dar liga. E deu. Ele tem uma identificação com o eleitor mineiro. As pessoas gostam dele”, afirmou.
O especialista pondera, contudo, que a chegada ao governo pode representar um desafio para o estilo político do republicano. Na avaliação dele, governar é muito mais complicado do que ocupar o lugar de quem critica o poder e seus privilégios.
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Autenticidade também tem estratégia
Embora rejeite a ideia de que Cleitinho seja um produto do marketing político, Lage reconhece que o senador utiliza recursos para disputar a atenção nas redes sociais. Entre os exemplos, cita estratégias inusitadas do governador eleito, atual senador, como o de colocar um tênis na geladeira com o intuito de provocar comentários e amplioar o alcance das publicações nas redes sociais.
“Ele tem truques óbvios, tipo enfiar o tênis na geladeira, porque aí ele faz a pessoa comentar lá embaixo. (...) Mas a gente está disputando a atenção o tempo inteiro. Político disputa a atenção o tempo inteiro. Essa foi a forma que ele arrumou de disputar a atenção”, explicou.
Para Lage, porém, a estratégia digital não explica sozinha o fenômeno. Ele destaca que Cleitinho também utiliza a visibilidade para abordar temas políticos e expor privilégios da própria atividade parlamentar, algo que considera incomum entre políticos.
“Eu vi um vídeo dele mostrando os privilégios que ele tem como senador. É raro encontrar alguém fazendo isso. Então, assim, não dá para inventar um negócio desse”, afirmou.
A conclusão do marqueteiro é que a autenticidade não pode ser comprada por uma campanha nem reproduzida por encomenda. O marketing pode explorar características que já existem, mas não consegue fabricar uma trajetória pessoal com a mesma força de identificação popular.
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