Geração Z transa menos, mas não por falta de desejo, mostra pesquisa
Conclusão é de pesquisa realizada nos Estados Unidos com jovens adultos entre 18 e 29 anos. Um em cada cinco nunca esteve com alguém na cama.
Por DW
Notícia
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Atualizado às 08:02, 06/11/2026 | Publicado às 06:00, 06/11/2026
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Resumo
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Estudo do Instituto Kinsey com jovens dos EUA aponta que a Geração Z transa menos que outras gerações.
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A frequência sexual não condiz com o grau de desejo, e parte dos jovens busca satisfação online.
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Fatores como dificuldades financeiras, moradia, cansaço de apps de relacionamento e saúde mental afetam a vida sexual.
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Apesar da menor frequência, a maioria dos jovens não está insatisfeita com a vida sexual.
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A pesquisa levanta preocupações sobre a saúde sexual, com baixo uso de preservativos e exames para ISTs.
Dizem por aí que a geração Z não transa — ou transa menos que as outras gerações. Será mesmo? Em vez de especular, o Instituto Kinsey decidiu perguntar diretamente aos protagonistas. O resultado é uma pesquisa apoiada pela Playboy e pela Julie, marca de pílula do dia seguinte, que finalmente dá respaldo ao debate.
O estudo ouviu 2.373 adultos nos Estados Unidos entre 18 e 29 anos, com uma amostra por cotas desenhada para captar perfis diversos entre os jovens. A conclusão? A fama da geração Z não é totalmente infundada: os dados apontam que a frequência sexual deles não condiz com o grau de desejo, e que uma parcela significativa tem buscado satisfação online.
Mas, como quase sempre acontece na ciência, a questão é mais complexa — e uma pesquisa, por si só, não basta para demonstrar que essa geração faz menos sexo do que as anteriores.
A "recessão sexual" da geração Z em números
Mesmo com essa ressalva, os números falam por si: entre os entrevistados, 29% não haviam transado nos últimos três meses, e um cada cinco (19%) sequer tiveram um parceiro sexual na vida. Os resultados também trazem mais nuances para o que os pesquisadores chamaram de "recessão sexual".
De acordo com o Instituto Kinsey, 40,1% não haviam praticado sexo vaginal e 36% não haviam se masturbado nos últimos três meses.
Mas quase metade dos participantes (48,5%) afirmaram ter beijado quase diariamente no mesmo período, indicando que o contato físico não desapareceu completamente.
Problema não é desejo, mas falta de oportunidades
O curioso é que não parece faltar desejo: entre os solteiros, 74% declararam ter desejo sexual de moderado a muito alto, embora muitos encontrem dificuldades para colocá-lo em prática.
E 40% disseram que gostariam de transar com maior frequência, contra 5% que prefeririam diminuir a frequência e 18% que relataram não estar interessados nisso no momento.
O problema parece ser falta de oportunidade: entre os solteiros, 66,5% afirmaram ter poucas chances de conhecer alguém, enquanto 65,5% estão cansados dos aplicativos de relacionamento e de encontros online.
Além disso, 63,9% disseram não ter encontrado ninguém que correspondesse às suas expectativas.
Dinheiro e moradia, os grandes obstáculos
A essas dificuldades soma-se um obstáculo menos romântico: o dinheiro. Segundo o Instituto Kinsey, 43% dos entrevistados consideravam sua situação financeira um impedimento para sair em dates ou manter um relacionamento amoroso. Já 37% afirmaram ter tido sua vida sexual afetada negativamente por problemas financeiros.
Mas se conhecer pessoas custa dinheiro, pode ser ainda mais difícil "evoluir" para a intimidade quando ainda se vive sob o mesmo teto com os pais. Essa era a situação de 33,5% dos participantes.
Nesse universo, seis em cada dez declararam não ter tido nenhum parceiro sexual nos últimos três meses.
E um cada quatro afirmou viver sob regras familiares rígidas. Ou seja: para alguns jovens, o problema não é apenas encontrar alguém com quem dormir, mas também encontrar um lugar onde isso seja possível.
A pesquisa também sugere que a saúde mental pode estar afetando a vida sexual dos jovens: entre os 33% que afirmaram tomar antidepressivos ou ansiolíticos, a frequência da atividade sexual foi menor em comparação com os entrevistados que não faziam uso de nenhuma medicação.
Telas, satisfação e sexo seguro
Por outro lado, as telas oferecem outras formas de satisfazer certas necessidades sexuais. Quase quatro (38%) em cada dez entrevistados encontram algum consolo em conteúdos eróticos online, incluindo a pornografia.
Além disso, 28% consideram que o tempo passado online reduz sua vontade de buscar encontros presenciais.
Mas se as redes sociais, as mensagens e até companheiros baseados em inteligência artificial podem proporcionar algum tipo de conexão emocional, seria precipitado atribuir isso exclusivamente aos celulares sem considerar fatores econômicos e sociais.
E um outro dado complica ainda mais a ideia de recessão sexual: só 18% dos entrevistados disseram estar insatisfeitos com sua vida sexual, contra 55% que relataram o contrário.
E do total de jovens ouvidos, 42% afirmaram que o sexo não é uma prioridade neste momento.
Em outras palavras, ter menos relações não é necessariamente um problema. Isso não quer dizer, porém, que haja menos razões para se preocupar com a saúde sexual dos jovens.
Como mostra o relatório, apenas 35% dos participantes afirmaram usar preservativos regularmente, e aproximadamente um terço nunca realizou exames para detectar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Portanto, a menor frequência dos encontros não garante que eles sejam mais seguros.
Até que ponto se pode falar em uma recessão sexual?
Os resultados da pesquisa, vale ressaltar, não necessariamente refletem o que ocorre em outros países. Além disso, como não há dados anteriores obtidos por meio da mesma pesquisa, não é possível determinar com precisão quanto a atividade sexual dessa geração realmente mudou ao longo do tempo.
O que o estudo deixa claro é que a falta de sexo nem sempre significa falta de desejo, muito menos insatisfação. Para alguns, as dificuldades têm a ver com falta de dinheiro ou de oportunidades.
Outros buscam formas alternativas de intimidade ou simplesmente não consideram o sexo uma prioridade. Talvez a pergunta já não seja apenas quanto sexo os jovens fazem, mas quanto gostariam de fazer e até que ponto isso os preocupa. (Por Felipe Espinosa Wang /DW)
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