TROCAS DE CONHECIMENTOIFPA recebe professores de Moçambique e promove intercâmbio de agroecologia no Pará Intercâmbio internacional certificou nove educadores moçambicanos em curso de 150 horas e promoveu contato com técnicas de produção sustentável desenvolvidas na região amazônica.
O Instituto Federal do Pará (IFPA) recebeu nove professores e formadores de Moçambique para uma experiência de intercâmbio e capacitação profissional em agroecologia. A iniciativa ocorreu no Campus Rural de Marabá (CRMB) e terminou em 27 de outubro de 2026, com a certificação dos participantes no Curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) em Agroecologia, que teve carga horária de 150 horas.
Realizada presencialmente entre os dias 2 e 27 de outubro, a formação integra uma cooperação técnica internacional entre Brasil e Moçambique. O objetivo é fortalecer a educação profissional por meio da capacitação de professores e gestores que atuam nessa modalidade de ensino.
A iniciativa faz parte do Programa de Fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica de Moçambique (Bramotec). Além disso, integra a política de internacionalização da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, articulada pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif).
Durante o intercâmbio, os educadores participaram de atividades em sala de aula e visitas técnicas. Dessa forma, conheceram experiências desenvolvidas no contexto da agroecologia amazônica, com destaque para alternativas de produção sustentável, manejo dos recursos naturais e organização da agricultura familiar.
A programação incluiu visitas a plantações de cacau, viveiros de mudas de açaí, sistemas de aquaponia, meliponários e apiários. Os participantes também conheceram o Museu Municipal Francisco Coelho, em Marabá, e a Casa das Sementes, localizada no Instituto de Agroecologia Latino-Americano Amazônico (IALA Amazônico), no Assentamento Palmares II, em Parauapebas.
Professores destacam troca de experiências
Para o professor moçambicano Raul Francisco Chirindza, a formação proporcionou novos conhecimentos e contato com técnicas que podem contribuir para a realidade agrícola de seu país.
“O curso no IFPA foi ótimo. Para mim, constitui um aprendizado e uma experiência diferenciada, na medida em que é possível implementar técnicas e garantir uma produção agroecológica voltada principalmente para a sustentabilidade do solo e a maximização do uso dos recursos locais existentes”, destacou.
O professor Anunciado João Pedro Marquebo também avaliou positivamente a experiência. Segundo ele, as atividades permitiram conhecer métodos de produção, observar iniciativas locais e compartilhar conhecimentos com profissionais de diferentes realidades.
“A experiência no IFPA foi muito enriquecedora, tanto a nível acadêmico como profissional. As aulas e as visitas realizadas permitiram conhecer novas técnicas, observar práticas locais e trocar experiências com colegas, professores e proprietários dos locais visitados”, relatou.
Marquebo ainda agradeceu à instituição e aos profissionais envolvidos na realização do curso. “Agradeço ao IFPA e a todos os seus colaboradores que, direta ou indiretamente, contribuíram significativamente para o meu crescimento pessoal e profissional”, fez questão de agradecer o professor.
Internacionalização fortalece cooperação entre países
A professora Luciene Aparecida Castravechi, responsável pela disciplina Dinâmicas Agrárias da Amazônia, ressaltou que o intercâmbio representa uma oportunidade de aproximação entre instituições de ensino e realidades produtivas distintas.
“Essa experiência reafirma a importância da internacionalização da educação profissional e tecnológica como caminho para aproximar instituições, compartilhar conhecimentos e construir soluções a partir do diálogo entre diferentes realidades sociais, culturais e produtivas”, enalteceu.
Para a docente, receber os educadores africanos também significa reconhecer os conhecimentos produzidos em diferentes territórios e ampliar os vínculos de cooperação entre Brasil e Moçambique.
“Mais do que concluir uma formação, o intercâmbio deixa como legado a construção de conhecimentos compartilhados e a possibilidade de multiplicar práticas agroecológicas comprometidas com a sustentabilidade e o desenvolvimento dos territórios”, admitiu.
A reitora do IFPA, Ana Paula Palheta, também destacou a importância da participação do Campus Rural de Marabá no Programa Bramotec para consolidar a política de internacionalização do instituto.
“Dessa vez não encaminhamos professores, técnicos-administrativos e alunos. Dessa vez, o IFPA recebeu professores de outros continentes com outras experiências e com a mesma dedicação à Educação Profissional. A ação abre portas para além-mar e nos permite fazer da internacionalização uma política estruturante”, avaliou.
A iniciativa amplia a presença internacional do IFPA e fortalece a troca de conhecimentos na educação profissional e tecnológica. Além disso, abre possibilidades para que experiências desenvolvidas na Amazônia paraense contribuam com práticas de agricultura sustentável e formação profissional em outros países.
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