HÁ QUASE TRÊS ANOS Acusado de matar sargento Roger Dias será julgado pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira
O homem acusado de matar o sargento da Polícia Militar Roger Dias será julgado pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (6), em Belo Horizonte. Welbert de Souza Fagundes responde por homicídio triplamente qualificado pela morte do militar, baleado na cabeça durante uma perseguição policial no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte da capital, em 5 de janeiro de 2024. O julgamento está marcado para às 8h30, no 2º Tribunal do Júri, no Fórum Lafayette, no Barro Preto, Região Centro-Sul.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o crime foi cometido com recursos que dificultaram a defesa da vítima, para assegurar a impunidade de outro delito e contra um agente de segurança pública no exercício da função.
Na ocasião, Welbert e Geovanni Faria de Carvalho, que dirigia o veículo utilizado na fuga, estavam em um Fiat Uno prata quando foram avistados por policiais militares. A dupla desobedeceu à ordem de parada e iniciou uma fuga em alta velocidade. Durante o percurso, atingiu um motociclista e, pouco depois, bateu contra um poste.
Após abandonar o carro, os dois tentaram escapar a pé. O sargento Roger Dias localizou Welbert e deu ordem para que ele se rendesse. Conforme a acusação, o suspeito simulou uma rendição, sacou um revólver calibre .38 que escondia no bolso da bermuda e disparou contra a cabeça do militar. Na sequência, também atirou contra outro policial que participava da ocorrência.
A defesa de Welbert tentou impedir que ele fosse submetido ao Tribunal do Júri, sustentando que o acusado teria agido em legítima defesa e apresentava transtornos psiquiátricos que comprometeriam sua capacidade de compreender o caráter ilícito dos próprios atos. Os argumentos foram rejeitados pela 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em julho deste ano.
Durante a instrução processual, exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) descartaram insanidade mental e apontaram que Welbert tinha plena capacidade de entendimento e autodeterminação na ocasião do crime. Imagens de câmeras de segurança anexadas ao processo também contrariaram a versão apresentada pela defesa de que os policiais teriam representado uma ameaça antes dos disparos.
Além do homicídio, Welbert responde por tentativa de homicídio contra outro policial militar e porte ilegal de arma de fogo.
Comparsa já foi condenado
Geovanni Faria de Carvalho, apontado como motorista do veículo utilizado na fuga, já foi julgado. Em agosto de 2025, ele foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão, em regime fechado, por quatro tentativas de homicídio contra policiais militares e uma tentativa de homicídio contra o motociclista atingido durante a perseguição.
A condenação não inclui a morte do sargento Roger Dias, atribuída pela acusação aos disparos efetuados por Welbert.
Relembre o caso
O crime ocorreu na noite de 5 de janeiro de 2024, durante uma operação da Polícia Militar para localizar dois detentos beneficiados pela saída temporária de fim de ano que não haviam retornado ao sistema prisional.
Naquele dia, militares que faziam patrulhamento no bairro Minaslândia, na Região Norte de Belo Horizonte, receberam informações sobre suspeitos de envolvimento em um roubo de veículo. Eles estariam armados e circulavam em um Fiat Uno pela Avenida Risoleta Neves, em direção ao bairro Novo Aarão Reis.
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A equipe liderada pelo sargento Roger Dias organizou uma operação para interceptar o automóvel. Uma viatura foi posicionada nas proximidades da UPA Norte e, cerca de 15 minutos depois, os policiais localizaram o veículo com os dois suspeitos.
Ao receber ordem de parada, o motorista acelerou e deu início à perseguição. Durante a fuga, atingiu uma motocicleta, perdeu o controle da direção e bateu contra um poste.
Os ocupantes abandonaram o carro e seguiram a pé. Foi nesse momento que Roger Dias encontrou Welbert e tentou abordá-lo. Segundo a denúncia, o suspeito fingiu que se entregaria antes de sacar a arma e atirar contra o militar. O sargento foi atingido na cabeça e morreu em decorrência dos ferimentos.
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