Policial que teve pneus furados a facadas desabafa: ‘lembrei do final da minha mãe’
Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O acidente de trânsito que terminou em cenas de violência nesta quinta-feira (5), na orla do bairro Perpétuo Socorro, em Macapá, continua repercutindo. A policial penal Clara Thalia que teve os pneus do carro furados durante um ataque de fúria de outro motorista envolvido na colisão, revelou que temeu pela própria vida. O episódio trouxe à tona lembranças dolorosas da morte da mãe, assassinada durante um assalto há alguns anos.
O acidente de pequenas proporções ocorreu por volta das 13h30. Após a colisão entre os veículos, os envolvidos desceram dos carros e houve uma discussão. Segundo a policial, dois homens passaram a agir de forma agressiva, e um deles utilizou uma arma branca para perfurar os dois pneus traseiros do veículo dela. Em seguida, os suspeitos fugiram do local.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Clara, que também é professora de Língua Portuguesa em uma escola do bairro, contou que a atitude dos homens provocou momentos de pânico e fez com que revivesse o trauma da morte da mãe, vítima de latrocínio.
“A todo momento eu estive sozinha, lidando com dois homens agressivos e descontrolados. No momento em que o homem pegou a arma branca e deu as estocadas no meu carro, eu pensei que ele faria a mesma coisa comigo. Fiquei com medo de ter o mesmo final da minha mãe, que perdeu a vida durante um latrocínio”, desabafou.

Motorista transtornado admitiu que furou pneus: ‘não queria pagar’
Além dos danos ao veículo, a policial relatou que um dos envolvidos tentou intimidá-la e apresentar uma versão distorcida do acidente nas redes sociais, alegando que ela se recusava a pagar pelos prejuízos por ser policial. O motorista envolvido também gravou um vídeo afirma que Clara não queria, supostamente, pagar pelos danos na lataria. A policial afirmou que apenas sugeriu acionar a polícia para esclarecer as responsabilidades pela colisão, o que teria deixado o homem ainda mais alterado.
“Ele gravou o meu rosto, tentou distorcer a narrativa primeiro na internet, dizendo que eu não queria pagar os prejuízos. Eu disse que ia chamar a polícia para saber quem deveria pagar o quê. Ele ficou ainda mais nervoso e, a partir disso, desferiu as estocadas no meu carro”, comentou.
Clara também criticou a atitude do agressor, que, segundo ela, fugiu após danificar o veículo, deixando-a sozinha em uma região onde temia sofrer novos ataques por sua condição de policial penal. “Por que ele se sentiu tão à vontade para fazer o que fez comigo? Apesar dos fatos do trânsito, nada justifica que um homem faça o que ele fez comigo”, questionou.
A policial registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Crimes Contra a Mulher (DECCM). O caso deverá ser apurado pela Polícia Civil.
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