Alguns centímetros medem a virilidade de um homem?
Deixa eu te contar uma história que, se não fosse tão séria, seria até engraçada. Há uns dez ou quinze anos, circulava pelas lojas de artigos eróticos uma régua distribuída gratuitamente que indicava o suposto tamanho ideal do pênis masculino. Naquela época, falava-se que a média brasileira ficava entre 16 e 18 centímetros. Não sei quem inventou aquela medida, muito menos quem deu tanta autoridade a um simples pedaço de plástico, mas o fato é que aquela régua acabou entrando na vida de muitos homens e, junto com ela, uma pergunta que talvez nunca devesse ter existido. Será que sou homem o suficiente?
Esses dias, conversando com um amigo, ele me contou que, quando era adolescente, entrou em uma dessas lojas e encontrou a famosa régua. Curioso, levou uma para casa e resolveu medir a própria virilidade. E foi aí que a brincadeira perdeu a graça. Ao perceber que seu pênis não chegava nem perto daquela suposta média, começou a imaginar que havia alguma coisa errada com ele. Passou a questionar o próprio corpo, sua masculinidade e até sua capacidade de proporcionar prazer a uma mulher. Veja só que curioso, a régua era gratuita, mas a insegurança que ela provocou acabou custando caro à autoestima daquele menino.
E, pensando nessa história, me lembrei de como a sexualidade masculina é construída desde muito cedo. Quantas vezes ouvimos, ainda na adolescência, brincadeiras sobre quem tem o maior, quem tem o menor, quem é mais homem ou quem supostamente fará mais sucesso com as mulheres? Entre risadas, comparações e constrangimentos, muitos meninos crescem acreditando que precisam provar sua masculinidade através do próprio órgão genital. E, quando chegam à vida adulta, essa cobrança pode continuar presente, inclusive na hora de se despir diante de alguém que desejam.
A pornografia também pode alimentar essas inseguranças, apresentando corpos e proporções que não representam a diversidade masculina. E aqui precisamos conversar sobre uma coisa importante. O prazer de uma mulher não é medido pelo tamanho do pênis de um homem. Aliás, se fosse tão simples assim, bastaria uma fita métrica para resolver todos os problemas da vida sexual, não é mesmo? Mas sabemos que a intimidade é muito mais interessante e complexa do que isso.
Para você ter uma ideia, uma pesquisa publicada na revista científica BJU International, reunindo dados de mais de 15 mil homens, encontrou um comprimento médio do pênis ereto de aproximadamente 13,1 centímetros. Uma referência internacional, e não uma média específica dos brasileiros. Ou seja, aquela famosa régua estava longe de representar a realidade da maioria dos homens. E talvez muitos tenham passado anos se sentindo inadequados por tentar alcançar uma medida que sequer correspondia à média científica.
E quando falamos sobre o prazer feminino, precisamos lembrar que o clitóris exerce um papel central na resposta orgástica de muitas mulheres. O corpo feminino possui inúmeras possibilidades de estimulação, sensibilidade e prazer, que vão muito além da profundidade de uma penetração. Como sexóloga somática, costumo dizer que conhecer o corpo da sua parceria, perceber suas reações, respeitar seu ritmo e ter curiosidade para descobrir aquilo que proporciona prazer pode ser muito mais interessante do que qualquer número estampado em uma régua. Afinal, de que adianta ter tantos centímetros se não existe conexão, presença ou disposição para conhecer quem está ao seu lado?
Mas existe também um outro lado dessa conversa. E quando o homem realmente deseja mudar alguma característica do próprio corpo? Quando não se sente confortável com a aparência do pênis ou gostaria de aumentar sua espessura? Será que isso é possível? E, principalmente, será que pode trazer mais confiança e satisfação para sua vida íntima?
Foi justamente para conversar sobre essas questões que entrevistei o Dr. Marcos José, profissional que trabalha com estética íntima masculina e que conheci através de um vídeo muito divertido no Instagram. Confesso que gostei da leveza com que ele abordou um assunto que ainda provoca tanto constrangimento entre os homens. E foi essa curiosidade que me levou a convidá-lo para nossa conversa.
Segundo Marcos José, muitos homens procuram a harmonização íntima masculina não necessariamente por dificuldades sexuais, mas porque desejam se sentir mais confiantes com a própria aparência. Ele me contou que, em sua experiência, cerca de 99% dos pacientes procuram o preenchimento motivados pela autoestima. Alguns carregam inseguranças antigas, outros evitam situações em que precisam se despir e há aqueles que simplesmente desejam realizar uma mudança estética, assim como tantas pessoas fazem em outras partes do corpo. E aqui existe algo que considero muito importante. Não precisamos julgar um homem por desejar uma mudança, assim como não devemos fazê-lo acreditar que precisa mudar para ser desejado.
Durante nossa conversa, Marcos explicou que o preenchimento peniano tem como objetivo aumentar a circunferência, ou seja, a espessura do pênis, e não seu comprimento. O material é aplicado sob a pele, com anestesia local, buscando modificar o contorno e, em alguns casos, corrigir pequenas assimetrias. Segundo ele, o resultado já pode ser percebido ao final do procedimento, com possíveis ganhos de até três ou quatro centímetros na circunferência, dependendo da avaliação individual. E aqui vale lembrar que estamos falando de espessura, não de comprimento, uma diferença que muita gente ainda confunde.
E, claro, fiz uma pergunta que imagino que muitos homens e mulheres também gostariam de fazer. Será que aumentar a espessura do pênis significa aumentar o prazer? Marcos José explicou que os benefícios que observa estão principalmente relacionados à autoconfiança. Alguns pacientes passam a se sentir mais seguros, menos inibidos e mais à vontade durante a intimidade. Ele também recebe relatos de parceiras que percebem diferenças nas sensações durante o contato íntimo, mas isso não significa que o procedimento garanta mais prazer ou orgasmos. Afinal, cada corpo possui suas preferências, seus limites e suas próprias formas de sentir.
E sabe o que achei especialmente interessante nessa entrevista? Descobrir que muitas mulheres participam ativamente dessa decisão. Marcos me contou que algumas esposas e parceiras incentivam seus companheiros a procurar o procedimento e chegam até a acompanhá-los nas consultas para esclarecer dúvidas. Achei isso curioso, porque estamos acostumados a ouvir que os homens precisam aceitar todas as características do próprio corpo em silêncio, como se não tivessem inseguranças ou desejos de mudança. Mas eles também querem se sentir bonitos, desejados e confiantes. E quando existe cumplicidade, conversar sobre essas vontades pode ser uma experiência de aproximação, não de julgamento.
É claro que nem todas as mulheres vão sentir ou pensar da mesma maneira. Algumas podem ficar curiosas, outras podem não enxergar necessidade alguma de mudança e há aquelas que talvez se perguntem se o parceiro está insatisfeito com a vida sexual do casal. Por isso, considero tão importante que essa decisão seja acompanhada de uma conversa sincera. O corpo pertence a quem vive nele, mas a intimidade envolve duas pessoas, e quando existe liberdade para compartilhar inseguranças, expectativas e desejos, o relacionamento também pode amadurecer.
Também perguntei ao especialista sobre sensibilidade, ereção e ejaculação, porque não adianta falar apenas de aparência quando estamos tratando de uma região tão importante para a sexualidade. Segundo ele, podem ocorrer alterações temporárias de sensibilidade durante a recuperação, especialmente por causa do inchaço. O preenchimento é realizado em uma camada superficial, com a intenção de preservar as estruturas responsáveis pela ereção, e não tem como objetivo tratar dificuldades ejaculatórias. Ainda assim, existem riscos, como hematomas, nódulos, assimetrias e infecções, e nenhuma técnica deve ser apresentada como completamente livre de complicações. A avaliação individual, a escolha de um profissional legalmente habilitado e o acompanhamento adequado são indispensáveis.
Mas uma das partes mais interessantes da nossa conversa foi perceber que, muitas vezes, a insatisfação masculina não está apenas naquilo que o espelho mostra. Está também na maneira como aquele homem aprendeu a olhar para si mesmo. E é justamente aqui que a estética íntima e a educação sexual somática podem encontrar um ponto de diálogo. Enquanto um procedimento busca modificar determinada característica física, o trabalho de consciência corporal pode ajudar o homem a reconhecer suas sensações, compreender suas inseguranças, desenvolver mais presença durante a intimidade e descobrir que seu prazer não precisa estar condicionado a uma performance.
No meu trabalho como sexóloga somática, encontro homens que chegam carregando cobranças sobre o próprio desempenho, sobre o tempo que conseguem manter uma relação, sobre a ereção e até sobre a obrigação de proporcionar orgasmos à parceria. E sabe o que percebo? Que muitos estão tão preocupados em corresponder a uma expectativa que acabam se esquecendo de sentir. O corpo deixa de ser um lugar de prazer e passa a funcionar como se estivesse constantemente sendo avaliado. E ninguém merece transformar a própria intimidade em uma prova na qual precisa tirar nota dez.
Quero deixar claro que não existe nada de errado em um homem desejar um procedimento estético, desde que essa decisão seja consciente, bem informada e acompanhada dos cuidados necessários. Mas também precisamos compreender que nenhuma mudança física consegue, sozinha, resolver todas as inseguranças emocionais. O próprio Marcos chamou atenção para os homens que chegam com expectativas irreais ou uma insatisfação persistente com a própria aparência, situações em que pode ser importante buscar também uma avaliação psicológica.
E, enquanto escrevo esta coluna, fico pensando naquele adolescente que levou uma régua para casa acreditando que estava prestes a descobrir o tamanho da própria virilidade. Imagino quantos outros meninos fizeram a mesma coisa e quantos homens adultos ainda carregam silenciosamente a sensação de não serem suficientes. Talvez esteja na hora de ensinarmos aos nossos meninos que masculinidade não se mede em centímetros, que prazer não é uma competição e que um homem não precisa provar seu valor através do próprio órgão genital.
Mas também quero dizer algo aos homens que, mesmo compreendendo tudo isso, gostariam de mudar alguma característica do próprio corpo. E por que não? Se você deseja ganhar alguns centímetros de espessura, se sentir mais confiante ao se despir e explorar novas possibilidades para sua autoestima íntima, que bom que hoje existem profissionais como o Dr. Marcos José e recursos da estética íntima masculina que podem ser avaliados com responsabilidade. Afinal, assim como nós, mulheres, temos a liberdade de cuidar da nossa aparência e realizar mudanças que nos fazem bem, os homens também merecem essa liberdade. Se essa possibilidade desperta sua curiosidade, vale conhecer o trabalho dele no Instagram @marcusjoseesteticaavancada e conversar sobre o que é possível, os cuidados necessários e suas expectativas.
Mas, acima de tudo, quero que você leve uma mensagem desta coluna. Não se cobre tanto. Não permita que uma régua, uma comparação ou uma expectativa criada por outras pessoas determine o quanto você se sente homem, desejável ou capaz de proporcionar prazer.
Se quiser mudar alguma coisa, que seja por você, pelo seu bem-estar e pela sua vontade de se sentir ainda mais confortável no próprio corpo, nunca pela obrigação de corresponder a um padrão.
Porque, no fim das contas, você pode até escolher aumentar alguns centímetros, mas não precisa diminuir o seu valor enquanto isso.
Com carinho,
Tami Bhavani
Coluna Muito Prazer | O TEMPO
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