Lar de acolhimento e história: a Casa O POVO por Marçal Barroz na CasaCor Ceará 2026
Na CasaCor Ceará 2026, conheça o espaço do O POVO idealizado pelo arquiteto Marçal Barroz. O ambiente recebe os visitantes, artistas e leitores para celebrar os 98 anos de comunicação
Por Gabriela Crispim
Notícia
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Publicado às 08:00, 06/11/2026
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Os ambientes da mostra CasaCor Ceará 2026 apresentam perspectivas singulares arquitetônicas que unem arte, técnica e utilidade. O local proporciona ao público acesso a espaços sofisticados e, ao mesmo tempo, reconfortantes.
Entre eles, a Casa O POVO compartilha uma visão única do que representa a trajetória para o centenário do Jornal O POVO, assinado por Marçal Barroz.
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Os quase 100 anos de história e simbologia do veículo de comunicação são redesenhados em um ambiente de 50 m² pelo arquiteto, que assume a responsabilidade de transferir ao visitante aconchego, segurança e proteção, por meio do uso da arquitetura biofílica, conceito que busca harmonizar o ambiente construído com elementos naturais. Na cartela de cores, predominam os tons frios.
"Relaciona justamente o aconchego que o Jornal transmite para as pessoas. Isso que queremos representar lá dentro. É um local de agregamento, de acolhimento, um lugar de visual prazeroso e uma 'vibe' bem gostosal", ressalta Marçal.
Um dos destaques do projeto são os desenhos nos ladrilhos, com essência indígena. As releituras surgem do Araku Pytxã (pé de saracura), um retrato do feminino para proteção; do Kaikui Apoeka (onça bicéfala), espelho do ser masculino para testar bravura, maturidade e proteção; e finaliza com o Okoimã (cobra grande) que representa a casa em si, os desenhos de proteção.
No espaço, pensado para fornecer bem-estar, conta ainda com uma área destinada ao que O POVO faz há quase 100 anos: dialogar, trocar experiências, apresentar novas ideias. O local é rebaixado na altura do piso, proporcionando mais descontração. Com raízes nas rodas de conversa indígenas, reproduz uma ciranda para bate-papo.
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"(Adotamos também) uma iluminação mais pessoal, não muito clara. Ao fundo, 99 fotos jornalísticas do O POVO, de momentos superagradáveis da humanidade. Nada de desastres. Registros positivos que representem prazer em estar e ver", descreve Marçal.
A criação do arquiteto contou ainda com a participação de Suzane Farias, artista visual, que também teve como ponto de partida os desenhos e o universo visual indígena para desenvolver suas criações. "A partir das minhas próprias interpretações, desenvolvi esculturas e luminárias que passeiam por esse tema tão rico".
Para a proposta usada na Casa O POVO, Suzane faz o encontro entre a inspiração do projeto de Marçal Barros e sua maneira de trabalhar com cerâmica, explorando formas, vazios, cortes e texturas.
Outros nomes também estão no espaço, como Wilson Neto, artista plástico, que se destaca pelas obras da série "Comentários", que traz objetos aparetemente simples que passam a adquirir significados, justamente pelo processo de transformação. "Aquilo que um dia foi brinquedo, uso cotidiano ou objeto de desejo torna-se vestígio, símbolo e matéria para a imaginação", descreve o artista.
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