Tribuna do Norte
06/11/2026 10:31

SMS inclui PPP e federalização entre alternativas para Hospital Municipal

Redação Tribuna do Norte • 10 de outubro de 2026 • 17h01

Secretaria de Saúde avalia uma parceria público-privada para administrar o Hospital Municipal São Padre Pio, mas também considera outras alternativas, como um pacto com o Ministério da Saúde para federalizar a unidade.

A previsão é que o Hospital Municipal de Natal seja concluído e entre em pleno funcionamento entre o final de 2027 e o início de 2028 | Foto: Magnus Nascimento

Kayllani Lima Silva
Repórter

O futuro da administração do Hospital Municipal de Natal São Padre Pio, em funcionamento há pouco menos de um mês, está sendo avaliado a partir de diferentes alternativas. De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da capital potiguar, Geraldo Pinho, a gestão considera viável a efetivação de uma Parceria Público-Privada (PPP), mas não descarta outras frentes como um pacto junto ao Ministério da Saúde para federalizar o equipamento.

A obra da Unidade está orçada em R$ 186,6 milhões, dos quais R$ 41,9 milhões são direcionados à primeira etapa e R$ 144,6 milhões para a segunda fase. De acordo com dados cedidos à reportagem da TRIBUNA DO NORTE pela SMS, do valor previsto para primeira fase, já foram executados R$ 37,7 milhões, enquanto na etapa seguinte esse total corresponde a R$ 59,2 milhões.

Embora a administração seja 100% direta neste momento, Geraldo Pinho reconhece que em equipamentos do porte do Hospital Municipal de Natal o estabelecimento de parceria público-privada garante uma assistência melhor no longo prazo. Uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) para a gestão da Unidade, segundo ele, já foi encaminhada à Secretaria Municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovações (Sepae).

“Se a PPP for o melhor caminho, tudo vai ser feito dentro do aspecto técnico para tocar a gestão deste hospital, mas tem outras possibilidades de administração, pode ser via OS, pode ser feito um pacto com o Ministério da Saúde para federalizar o hospital, por exemplo, caso [venha] o recurso da pasta e também do Estado. Então tem várias frentes que estamos estudando para saber qual é a melhor estratégia em termos econômicos, mas principalmente na questão assistencial, ou seja, qual modelo vai poder atender mais e melhor”, aponta o Secretário.

A previsão é que o Hospital Municipal de Natal seja concluído e entre em pleno funcionamento entre o final de 2027 e o início de 2028. A Unidade começou a operar em setembro, com a entrega de 17 leitos na enfermaria pediátrica, dos quais seis são com foco na saúde mental infantil. No final da última semana, o atendimento foi ampliado com a entrega da enfermaria adulta, que concentra 17 leitos distribuídos em oito salas, sendo uma delas para atender casos que necessitam de isolamento.

Até o fim deste mês, serão entregues dez leitos de UTI, tomografia e dois centros cirúrgicos, finalizando a primeira etapa da obra. Em relação à segunda fase, Geraldo Pinho explica que a obra contempla mais 30 leitos de UTI, oito centros cirúrgicos e 220 leitos. “Então só para a população ter ideia da área, a dimensão equivale a cerca de cinco a seis vezes o [tamanho do] Walfredo Gurgel”, destaca.

O Secretário esclarece que até o momento, mesmo sem o funcionamento pleno, o Hospital Municipal de Natal conseguiu zerar a fila de 120 pacientes de até 15 anos que aguardavam por um ecocardiopediátrico. Na assistência ao público adulto, no entanto, o desafio tem sido maior em virtude da sobrecarga em algumas Unidades de Pronto Atendimento de Natal (UPAs).

“Na UPA de Cidade Satélite, por exemplo, quase 25% dos atendimentos que a gente faz são de Parnamirim. Nós não fechamos a porta para não munícipes, mas existe em Natal esse problema, são cerca de 800 mil habitantes e quase o dobro de cartões SUS”, destaca Geraldo Pinho.

Segundo dados do RN Regula Leitos, cedidos pela SMS à reportagem, até a última quarta-feira (7) 48 pacientes regulados aguardavam na fila por leito de enfermaria e UTI, dos quais 28 são munícipes de Natal e 20 de outras cidades. Os números consideram não apenas pacientes que estão aguardando nas UPAs, mas também no Hospital dos Pescadores e na Unidade Mista de Mãe Luiza.

“Então a gente sempre fica com vários pacientes esperando transferência de leito, mas está melhorando. Quando começarmos a abrir mais enfermarias, com a vinda da segunda etapa, a tendência é que o paciente só fique dentro de UPA para realizar aquilo que a UPA foi feita para prestar, [com permanência de até] 24 horas”, ressalta Geraldo Pinho.

Questionado sobre a divisão de demanda de atendimento entre o HMN e o Walfredo Gurgel, o secretário aponta que ainda não há diálogo sobre o assunto. “Neste momento ainda não tem conversa pactuada com a Sesap ou com nenhum outro município. Mas não é por isso que deixamos de atender outros munícipes”, ressalta.

Geraldo Pinho diz que novo hospital zerou filas | Foto: Magnus Nascimento

UPA Satélite sofre com sobrecarga de atendimentos

No período de junho a setembro deste ano, a UPA Satélite realizou 34,06 mil atendimentos, dos quais 6,04 mil foram de munícipes de Parnamirim. O diretor médico da Unidade, Ramon Suassuna, atribui o cenário a fatores geográficos e urbanos, como a conurbação, ou seja, a falta de limites geográficos entre Natal e cidades da região metropolitana, e a migração pendular. “Então o paciente pode, por exemplo, morar em uma cidade vizinha e quando vem para Natal, seja para trabalho ou estudo, acaba passando por atendimento quando tem alguma urgência”, observa.

Embora alguns pacientes com perfil de enfermaria já tenham sido encaminhados ao Hospital Municipal de Natal, ele compartilha que ainda existem desafios para conseguir reduzir o número de pessoas internadas na Unidade. Isso porque boa parte desse público não é da capital potiguar e precisa aguardar por liberação de leitos próximos à cidade em que reside.

Até a última quarta-feira (7), dos 28 internos que estavam na UPA Satélite, 14 eram de Natal e 12 de Parnamirim, sendo estes últimos dependentes da rede estadual e do Hospital Márcio Marinho. Segundo Ramon Suassuna, não é possível precisar a diferença de espera entre pacientes de Natal e de outras cidades por um leito, mas ele observa que a população da capital tem acesso a um número amplo de serviços de acolhimento que não é observado em cidades próximas.

“Os munícipes de Natal podem ir para o Hospital Municipal, o Hospital Rio Grande, o Hospital Severino Lopes e o Vita, [sendo este último] tanto para pacientes em cuidados paliativos proporcionais, quanto para os que estão na linha de tratamento vascular”, exemplifica.

De acordo com Ramon Suassuna, a UPA Satélite já registrou casos de pacientes de cidades do interior que buscaram a mudança no endereço do cartão SUS para conseguirem ter acesso à rede conveniada de Natal e, consequentemente, conseguirem reduzir o tempo de espera que enfrentam por um leito.

O diretor lembra que o serviço da Unidade é porta aberta, mas a sobredemanda tem feito com que a Secretaria Municipal de Saúde tenha custo adicional sem quaisquer contrapartidas. Além disso, apesar de o termo ‘internação’ ser atribuído às UPAs, esse processo não gera Autorização de Internação Hospitalar (AIH) e, portanto, não se reflete em recursos via SUS para pagamento dessa assistência. “A internação que gera dinheiro é a que acontece no hospital. Então a ‘internação’ que existe aqui é o paciente ficar em observação aguardando um leito de retaguarda”, completa.

Assistência oferecida é multidisciplinar

Para os pacientes encaminhados ao Hospital Municipal de Natal, o diretor médico da Unidade, Giordano Bruno, explica que a assistência oferecida é multidisciplinar, contemplando especialidades como cirurgia vascular, urologia, endocrinologia, nutrologia, pneumologia, nefrologia, neurologia e cardiologia. “Então conseguimos dar um suporte bem completo para esse paciente, ele é atendido de forma integral”, aponta.

Em relação ao tempo de internação, o diretor esclarece que o período varia de acordo com o quadro clínico apresentado pelos pacientes, mas entre os adultos a média desejável é entre sete e 10 dias. “Já as crianças têm uma peculiaridade: podem agravar muito rapidamente, mas também ter uma melhora muito rápida. Então esse tempo de internação acaba sendo ainda mais variável do que o tempo de internação de um paciente adulto”, completa.

O aposentado José Ailton, de 60 anos, natural de Santa Cruz, foi um dos primeiros pacientes a serem encaminhados para a enfermaria adulta do novo hospital. Ele estava havia uma semana na UPA Potengi, onde buscou atendimento em razão de uma hérnia e inchaço no corpo. Durante esse período, relata que foi bem assistido, mas a capacidade de atendimento não se compara à recebida no Hospital Municipal: “De lá para cá, não me faltou nada”.

O potiguar conta que a experiência foi diferente da que já vivenciou em outros momentos em que precisou recorrer ao atendimento médico em Natal, incluindo o período em que ficou internado em um hospital da rede estadual. “Passei um bom tempo no corredor antes de ser assistido lá. Sofri um ‘bocado’, e a minha esposa também, que foi minha acompanhante”, relata.

O aposentado João Leonardo da Silva Filho, de 68 anos, também ficou cerca de uma semana na UPA Potengi até ser encaminhado ao Hospital Municipal. Ele compartilha que deu entrada no atendimento básico em virtude de um tromboembolismo pulmonar (TEP) e, desde que conseguiu a internação na enfermaria adulta, tem recebido a assistência necessária. “Espero conseguir me restabelecer e voltar às minhas atividades normais. Com fé a gente tenta alcançar”, compartilha.

Números

Hospital Municipal de Natal

  • Primeira etapa: valor total previsto e quanto já foi executado
  • Valor total previsto: R$ 41.947.602,91
  • Quanto já foi executado: R$ 37.780.562,09 (90,07%)
  • Segunda etapa: valor total previsto e quanto já foi executado
  • Valor total previsto: R$ 144.666.299,61
  • Quanto já foi executado: R$ 59.216.006,90 (40,93%)

Valor total da obra

  • Valor total da obra: R$ 186.613.902,52

UPA Satélite

  • Atendimentos de junho a setembro: 34.067
  • Atendimentos de junho a setembro (munícipes de Parnamirim): 6.042
📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Tribuna do Norte.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

Polícia06 de novembro de 2026Golpe de R$ 900 mil envolvendo investimentos em pneus termina com dois presos na Grande Natal
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 11h49 Foto: Divulgação/PCRNDois homens, de 38 e 22 anos, …
Natal06 de novembro de 2026Incêndio atinge apartamento no 18º andar de condomínio na zona Sul de Natal
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 11h26 Foto: Divulgação/CBMRNUm incêndio atingiu um aparta…
Polícia06 de novembro de 2026VÍDEO: Perseguição a carro roubado termina com colisão e adolescente apreendido na Grande Natal
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 10h25 Foto: Divulgação/PMRNUm adolescente foi apreendido …
Hospital Municipal deve reduzir espera por tratamento em UPAs
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 21 de setembro de 2026 • 22h04 No final do próximo ano, a unidade deverá estar em …
Prefeitura estuda transferir unidades de saúde para novo Hospital Municipal de Natal
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 06 de novembro de 2026 • 10h13Joanna Guerra afirma que a medida poderá reduzir gas…
Hospital Municipal de Natal inicia atendimentos e terá abertura de 10 leitos de UTI
Tribuna do Norte
Redação Tribuna do Norte • 18 de setembro de 2026 • 07h10Com a disponibilidade de seus serviços em expansão, …