Mais de 400 alunos estão sem merenda em escola de Marechal Thaumaturgo

No município de Marechal Thaumaturgo, que comemora 34 anos de fundação, a situação da única escola de ensino médio da cidade é crítica neste fim de ano letivo. Sem merenda escolar há cerca de um mês,a Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes enfrenta dificuldades que prejudicam mais de 400 estudantes e provocaram a redução das aulas de 60 para 50 minutos.
Os mais afetados são os alunos da zona rural, que representam cerca de 40% dos estudantes. Muitos saem de casa entre 4h e 5h da manhã e enfrentam longas viagens de barco para chegar à escola, onde permanecem sem alimentação.
A situação foi denunciada por um servidor da unidade, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, o problema é recorrente desde o início do ano, com atrasos de 10 a 15 dias na entrega dos alimentos. Atualmente, a despensa estaria completamente vazia. “Alguns alunos conseguem comprar merenda fora da escola, geralmente quem mora na cidade e tem mais condições. Mas outros, sobretudo os que moram no interior, não podem, porque as condições são poucas. Essa é a única escola de ensino médio aqui da cidade”, relatou.
A unidade atende estudantes do ensino médio nos períodos da manhã e da tarde, além de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite.
O servidor também denunciou problemas na qualidade dos alimentos enviados ao município, especialmente das carnes, que, segundo ele, algumas vezes chegam em condições inadequadas para o consumo.“É muito complicado. Quando chega aqui, a carne muitas vezes não vem em boas condições. A direção acaba tendo que aproveitar o que consegue, porque, se jogar fora, é pior e vai faltar ainda mais para os alunos”, afirmou.
Secretaria de Educação confirma atraso
Em nota de esclarecimento assinada pelo secretário de Estado de Educação e Cultura, Reginaldo Prates, a SEE confirmou o atraso na entrega dos alimentos devido a dificuldades logísticas. A pasta informou que trabalha para solucionar os problemas de transporte e garantir o reabastecimento o mais rápido possível, mas não estabeleceu uma data.
Segundo a Secretaria, os alimentos não perecíveis são enviados em quantidades suficientes para aproximadamente 45 dias, enquanto os perecíveis, como as carnes, são entregues, em média, a cada 15 dias, devido às condições de conservação e à capacidade de armazenamento das escolas. Nas unidades de difícil acesso, o transporte das carnes é feito com os produtos congelados.
Sobre a denúncia de alimentos em condições inadequadas, a SEE afirmou que não recebeu registros ou notificações formais de irregularidades na Escola Elvira Ferreira Gomes.
“Os gestores escolares são orientados a verificar as condições dos alimentos no ato do recebimento, recusar produtos que estejam em desacordo com as especificações contratuais e registrar formalmente qualquer irregularidade, acompanhada das devidas comprovações, para que sejam adotadas as providências cabíveis”, informou a Secretaria.
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