Cigarro ficará mais caro: com Imposto Seletivo, taxação vai subir 55,6%
Também conhecido como "imposto do pecado", o tributo vai incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente
Notícia
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Atualizado às 10:01, 06/11/2026 | Publicado às 10:00, 06/11/2026
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Resumo
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A Abifumo criticou a MP nº 1.399/2026, que cria o Imposto Seletivo e aumenta em 55,6% a alíquota específica sobre o cigarro a partir de 2027.
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A associação alega que o aumento torna o produto formal menos competitivo e favorece diretamente o mercado ilegal e o crime organizado.
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A entidade alerta que a medida afeta a segurança dos cidadãos, citando dados que apontam que o mercado ilegal de cigarros movimentou R$ 10 bilhões em 2025.
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O setor argumenta que a tributação penaliza a indústria formal que cumpre a lei, prejudicando a arrecadação e a isonomia entre os setores afetados.
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A Abifumo defende que o governo reveja a decisão e adote uma política tributária compatível com a realidade e com o combate à ilegalidade no Brasil.
A Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) criticou o aumento da tributação dos cigarros, divulgada na quarta-feira, 4, por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.399/2026, que define as regras para a aplicação do Imposto Seletivo (IS) em 2027. Segundo a entidade, a alta na taxação será de 55%.
Também conhecido como "imposto do pecado", o tributo vai incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
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Além dos produtos fumígenos, serão alvo do Seletivo veículos, aeronaves, embarcações, bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas (como os refrigerantes e os sucos artificiais).
Veja o que muda na taxação do cigarro
De acordo com a MP, a alíquota do Imposto Seletivo (IS) para cigarros e cigarrilhas é de 66,7% sobre uma base de cálculo específica (correspondente a 15% do preço de venda no varejo até o final de 2027), acrescida de uma parcela fixa de R$ 3,50 por vintena (maço com 20 unidadesa alíquota sobre o cigarro será de 66,7% sobre 15% do preço + R$ 3,50 por vintena.
Com isso, a alíquota específica vigente sobre o cigarro, de R$ 2,25, aumentará em 55,6%, segundo a Abifumo.
A entidade disse que o novo patamar não atende à demanda da indústria e do consumidor e amplia a diferença de preços entre o cigarro legal e o clandestino, favorecendo diretamente o contrabando e as organizações criminosas que controlam esse mercado.
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Para o presidente da Abifumo, Edimilson Alves, os efeitos da medida vão além da política tributária e deverão impactar diretamente a segurança do cidadão brasileiro.
"Aumentar a tributação sobre quem cumpre a lei, enquanto os criminosos continuam operando livremente, é penalizar a indústria formal, a arrecadação e a segurança pública. Além disso, a medida não considera a isonomia entre os setores afetados pelo Imposto Seletivo. Não existe política tributária eficiente quando ela fortalece a ilegalidade", declarou Alves.
Mercado ilegal
Para a Abifumo, a discussão sobre o Imposto Seletivo ultrapassa a questão tributária e alcança diretamente a segurança pública.
A associação destaca que, em 2019, o mercado clandestino chegou a responder por 57% do consumo nacional de cigarros. Segundo a entidade, o aumento trazido pela MP representa a maior diferença entre preços na história e entrega ao crime organizado uma parcela ainda maior do mercado brasileiro.
Dados do levantamento Ipsos/Ipec Inteligência de 2025 mostram que o mercado ilegal de cigarros movimentou cerca de R$ 10 bilhões para o crime organizado em 2025.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do ano passado também relaciona a expansão do mercado ilegal ao aumento de indicadores de criminalidade, como homicídios, tráfico de drogas e roubos de veículos.
"Quando o produto legal se torna menos competitivo, a demanda migra para o cigarro ilegal, sem recolhimento de impostos e à margem das regras sanitárias e comerciais", enfatizou o presidente da Abifumo.
A entidade do setor defende que o governo reveja a decisão e adote um patamar de tributação "compatível com a realidade brasileira".
A Abifumo defende ainda que a política tributária considere a existência do mercado ilegal seus efeitos sobre a arrecadação, a competitividade e a segurança pública.
Entenda porque o Governo está taxando cigarro
O Governo, no entanto, tem defendido que o Imposto Seletivo tem por objetivo desestimular o consumo de bens e serviços que provocam impactos negativos à saúde ou ao meio ambiente.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças relacionadas ao tabagismo geram um custo indireto de R$ 86,3 bilhões por ano, o que resulta em um gasto total anual de R$ 153,5 bilhões para o governo, o equivalente a 1,6% do PIB.
"Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de apenas R$ 8 bilhões por ano, o que evidencia desequilíbrio entre os gastos com a saúde e a arrecadação gerada pela comercialização do produto", diz.
Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira, 5, que o Imposto Seletivo não tem finalidade arrecadatória e que poucos setores terão esse tributo enquanto a indústria fica isenta de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
"Nós estamos acabando com o IPI, que é um imposto sobre produto industrializado que atinge tudo que sai da indústria brasileira. Então, o IPI deixa de existir a partir do ano que vem e nós vamos ter esse Imposto Seletivo que ele não tem finalidade arrecadatória, mas tem uma finalidade de evitar o consumo, diminuir o consumo de alguns produtos", afirmou o ministro.
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