Se achou a eleição ruim, não queira ler como a Wikipedia a descreve
De acordo com a Wikipedia, as eleições de 2026 foram realizadas cheias de suspeitas. Suspeitas?! Antes que o TSE invoque seu curioso e inexistente poder de polícia e censura auto-outorgado e saia prendendo conservadores inocentes, a Wikipedia na verdade garante que houve suspeitas apenas que recaiam à direita.
Segundo a enciclopédia, “essa eleição ficou marcada por suspeitas de interferências externas das big techs, com parte dos conteúdos sugeridos pelos algoritmos sendo benéficos ao campo do bolsonarismo e de partes da direita”. Como virou moda nos manuais de redação da grande mídia, a Wikipedia faz tal asserção “sem apresentar provas”. Ou melhor, sua única “prova” é uma coluna que cita uma alegação da campanha de Lula (não exatamente uma fonte neutra), mas que tampouco deixou de destacar: “Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro também reclama de manipulação”. Por que a Wikipedia afirma que só houve “suspeitas de interferências” por algoritmos que fossem “benéficos ao campo do bolsonarismo e de partes da direita”, omitindo o restante? Lembrando que a mesma Wikipedia assegura que o “bolsonarismo é um fenômeno político de extrema-direita e cariz fascista que eclodiu no Brasil com a ascensão da popularidade de Jair Bolsonaro” (sic).
Para a Wikipedia, houve “crescimento de manifestações numerosas nas ruas durante todo o período de campanha, principalmente com apoio ao presidente e candidato à reeleição, Lula, atraindo o maior número de pessoas desde os atos das Diretas Já”. A fonte? A opinião (está escrito assim: opinião) de um cientista político dando entrevista a ‘O Globo na coluna de Ancelmo Gois. Aquele, que foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). A enciclopédia já fala de “erros de Flávio e aliados” no segundo parágrafo – sem nenhuma explicação convincente, ou melhor, sem nenhuma referência à estranheza de todos os institutos de pesquisa apontarem que Flávio Bolsonaro seria presidente até o dia anterior às eleições – inclusive com chamadas importantes falando que a “virada de Lula é improvável”. Ou sobre como Lula teria conseguido ter todos os votos da terceira via – de centro-direita – e mais todas as abstenções, brancos e nulos e ainda crescer sobre o eleitorado de Flávio Bolsonaro em 96,7% dos municípios do Brasil, ou 5.385 municípios. O número não aparece na festeira Wikipedia – não se sabe por quê, já que o texto da Wiki parece tanto se gabar de uma vitória estupenda de Lula e do PT. Que não comete “erros”.
Será que estes números pegam mal, em vez de serem ostentados pela esquerda?
Parece apenas que foi uma eleição em que Lula acertou tudo, Flávio não acertou nada, e viva a democracia
Há uma seção inteira comparando o estilo Janones ao estilo Nikolas. Menções a Janones ter tentado engabelar a população com um vídeo fake de alguém parecido (de longe) com Flávio Bolsonaro ao lado de menores, enquanto fazia insinuações sobre pedofilia às vésperas do debate da Globo? Zero. Janones só não levou a mentira a cabo por que encontraram o vídeo rapidamente, e Janones preferiu dizer que estava fazendo uma crítica à cultura dos pedófilos abusadores de ucranianas (sim, poucos minutos antes de começar o debate, e de ameaçar que acabaria com Flávio).
Alguma menção a Janones ter escrito um livro confessando que, na eleição passada, inventou que tinha “o celular de Bebianno”, e que “iria destruir” os Bolsonaros – e depois disse que era tudo fake, sem ter uma única puniçãozinha pelo TSE, então controlado por Alexandre de Moraes? Alguma menção a ter escapado do processo de rachadinha só com ajuda de seus colegas do PT e do Psol? Alguma menção ao habeas corpus de sua ex-esposa por agressão – e ao fato de ela ter ido ao debate da Globo, justamente porque Janones é proibido de chegar perto dela, o que levou à sua desistência da participação física? Nada, nada.
Mas sobre Nikolas… a seção começa com: “Nikolas Ferreira (PL), em campanha para Flávio, divulgou em suas redes sociais diversas peças eleitorais enganosas.” Que decréscimo em relação a Janones! O primeiro parágrafo inteiro reclama de um vídeo com crianças acusando Lula de crimes – o que o TSE considerou que “poderia comprometer a dignidade dos menores de idade” (mas cadê a mentira?).
A outra “peça enganosa” foi a divulgação do “vídeo, fora de contexto, no qual Lula diz, de maneira informal, que mulheres estão mais habituadas ao teste do papanicolau que homens” (sic). Vai ver é porque homens não têm vagina… mas se você cita Lula, precisa imediatamente colocar um “contexto” – o que não é preciso para citar Nikolas como divulgador de “peças enganosas”.
E sobre o incêndio da UFPE, “causado por um curto-circuito”? Vem logo acompanhado de uma justaposição: “Apesar de não serem apontados formalmente como responsáveis, prints de supostos apoiadores de Flávio Bolsonaro ameaçando os estudantes de violência e de incendiar os locais da UFPE circularam pelas redes sociais”. Ou seja, não foram eles, mas vamos falar mal deles e lançar suspeitas mesmo assim.
E as mentiras do PT sobre Flávio acabar com o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil (o que cabe à Igreja Católica, e não à presidência) e que Flávio Dino, suposto católico, mandou que continuassem em circulação? Há uma reclamação com a jornalista ter se retratado por ter sugerido tal fato sem provas (sim, reclamando da retratação, até citando a Abraji). Logo a seguir, o destaque: “Flávio Bolsonaro atacou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por suposto envolvimento na divulgação das publicações”. Sempre o verbo “atacar”. Dá impressão de que ele é o errado na história.
O parágrafo ainda tem uma curiosa conclusão: “Em Cuiabá, no dia 29 de setembro, uma imagem de Nossa Senhora foi encontrada sem cabeça em um marco religioso, tendo sido vandalizada dias antes. No mesmo dia, o presidente Lula defendeu a liberdade religiosa durante ato de campanha em Belém e afirmou que ‘ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida’”. Que fofinho é o Lula! Que anti-cristão é Flávio!
Ao comentar sobre “as publicações que associassem Flávio Bolsonaro à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil” (desta vez, sem usar termos como fake news ou “conteúdo enganoso”), a Wiki ainda solta: “Entre as publicações removidas estava a do humorista Antônio Tabet, que escreveu que ‘a família miliciana’ havia decidido atacar a santa, sem citar nenhum Bolsonaro. A decisão foi criticada por expor uma contradição do bolsonarismo de rejeitar a liberdade de expressão que defende quando esta é usada para criticar seu candidato” (sic).
Nenhuma reclamação quanto à mentira de “família miliciana” (ou de Flávio Bolsonaro refutar o ataque, e dizer que quer considerar milícias grupos terroristas). Apenas mais um link para o artigo dizendo que o bolsonarismo é fascista. Claro, não se espera que a Wiki acabe se “lembrando” de que um dirigente do próprio PT pediu ao STF o fim do feriado de Nossa Senhora Aparecida, enquanto mentiu a todo o país acusando Flávio Bolsonaro do mesmo – nem mesmo que a Wiki perceba uma diferença entre o “pode tudo contra Flávio Bolsonaro” (já que Flávio Dino mandou a mentira continuar circulando, porque sim), e o “pode nada contra Lula”. Mas, para um artigo que tem uma seção inteira dedicada a descrever “Suspeitas de parcialidade de Nunes Marques”, chega-se a suspeitar um pouco que, talvez, o artigo esteja mentindo e omitindo a favor de Lula, ignorando, omitindo ou mentindo contra Flávio Bolsonaro.
O melhor é sobre Roberta Luchsinger, que sacudiu as eleições na última semana. Simplesmente não há informação nenhuma. Há até uma referência a um boato sem prova sobre o acesso a uma plataforma da Globo, com a frase sem nexo “Durante acesso da plataforma, internautas relataram receber recomendações apenas candidatos de candidatos de direita e extrema-direita” (sic, com todos os erros do original), mas nada sobre Roberta Luchsinger.
Os baixos índices de popularidade de Lula (chegou no seu recorde inferior no ano anterior), contrastando com sua vitória fulminante? Nada. Segurança, que a maior parte da população tratou como tema fundamental, depois de 20 anos de regime PT? Nada. Parece apenas que foi uma eleição em que Lula acertou tudo, Flávio não acertou nada, e viva a democracia (e se questionar, cadeia).
Claro, a esquerda possui agências de Relações Públicas, agências de autointitulado fact-checking, professores universitários, jornalistas e toda sorte de lobistas para melhorar sua própria imagem e prejudicar as alheias. Mas talvez seja o caso de conservadores também prestarem atenção em como as pessoas acabam indo para a esquerda. Não é por lógica (o método avançado) nem por rede social (o método chinfrim). Muitas vezes, é só por estarem hiperestimuladas a acreditarem que Lula está salvando o planeta ao indicar Flávio Dino para o STF para censurar a direita e liberar a esquerda para mentir. Talvez porque leram sobre as eleições na Wikipedia.
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