Naturatins vistoria zona rural de Palmas após relatos de onça-parda
Órgão ambiental analisou propriedades no Loteamento Coqueirinho após queixas de agricultores, alertou sobre imagens falsas nas redes sociais e reforçou medidas de prevenção
O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) realizou uma vistoria técnica em duas propriedades do Loteamento Coqueirinho, na zona rural de Palmas, após relatos de avistamento de uma onça-parda (Puma concolor) e possíveis ataques a animais domésticos.
A visita ocorreu na sexta-feira, 30, após solicitação formal da Associação dos Pequenos Agricultores do Loteamento Coqueirinho (Apalco), que comunicou ao órgão ambiental o aparecimento de um felino nas proximidades de uma chácara e suspeitas de ataques a animais da região.
Em uma das propriedades, um boletim de ocorrência registra a morte de ovinos. Segundo os relatos apresentados, os ataques ocorreram também em um aprisco fechado, estrutura utilizada para abrigar e proteger os animais.
Durante a vistoria, os técnicos do Naturatins analisaram vestígios encontrados nas propriedades e vídeos apresentados pelos moradores. Entretanto, nenhum dos registros foi validado como evidência de ataque provocado por felino silvestre. Desta forma, até o momento não há confirmação técnica de predação de animais domésticos por onças ou outros felinos na região.
A diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Perla Ribeiro, destacou que, apesar dos relatos dos moradores, a equipe não encontrou elementos que comprovem a participação de um animal silvestre nas ocorrências. “O Naturatins acompanha o caso. Uma equipe fez vistoria técnica na região e não encontrou confirmação de que os ataques tenham sido causados por um felino silvestre, apesar dos relatos de avistamento”, afirmou.
A diretora também alerta para a circulação de imagens nas redes sociais que simulam ataques de onças, inclusive conteúdos que podem ter sido produzidos com inteligência artificial (IA). “A orientação é verificar a autenticidade dos registros antes de compartilhá-los e buscar informações nos canais oficiais”, recomendou.
Alimentação de animais abandonados pode atrair fauna silvestre
Durante a visita, moradores relataram que costumam oferecer ração a animais abandonados na região, que seriam deixados frequentemente na estrada de acesso ao loteamento.
De acordo com a bióloga do Naturatins, Maria de Fátima Ribeiro, a prática pode favorecer a aproximação de animais silvestres, atraídos pela disponibilidade de alimento. Além disso, animais domésticos debilitados podem se tornar presas mais vulneráveis.
A técnica recomenda que os moradores evitem deixar alimentos expostos, restos de comida ou carcaças nas propriedades, além de não alimentar animais silvestres.
Para prevenir possíveis ataques e reduzir conflitos entre animais domésticos e a fauna silvestre, a orientação é que os produtores adotem medidas de segurança nas propriedades.
Entre as recomendações estão a instalação de cercas elétricas e a construção de abrigos com telas de malha grossa e soldagem resistente. Outra medida indicada é dobrar aproximadamente 45 centímetros da tela para fora, junto ao solo, dificultando a entrada de predadores.
Outra recomendação é que os abrigos sejam mantidos fechados durante a noite e que sejam instalados refletores com sensores de presença para aumentar a segurança dos animais.
Os moradores devem manter os quintais limpos, evitar o acúmulo de restos de alimentos e ossadas, acompanhar crianças nas áreas externas e redobrar a atenção ao sair de casa. A presença de cães soltos nas propriedades também deve ser evitada.
Orientações em caso de encontro com onça-parda
Em situações de encontro com animais silvestres, a recomendação é manter a calma, evitar movimentos bruscos e não tentar se aproximar, tocar ou perseguir o animal. Essas atitudes ajudam a reduzir o estresse da espécie e diminuem o risco de reações defensivas.
O Naturatins reforça que os animais silvestres são protegidos pela legislação ambiental. A captura de onças só é permitida em situações específicas e mediante os procedimentos legais. Matar, caçar ou perseguir animais silvestres constitui crime ambiental, sujeito à pena de seis meses a um ano de detenção e multa, conforme a Lei Federal nº 9.605/1998.
Caso as ocorrências persistam mesmo após a adoção das medidas preventivas, os moradores devem comunicar o Naturatins pelos e-mails [email protected] e [email protected].
Enquanto acompanha os relatos, o órgão orienta a comunidade a manter os cuidados preventivos e evitar conclusões sem comprovação técnica, contribuindo para a segurança dos moradores, dos animais domésticos e da fauna silvestre.
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