TRADIÇÃO E ESPORTEArena da Expoferr reúne competidores de quatro estados em provas equestres Vaquejada e rodeio movimentam o Parque Dandãezinho; grandes finais estão previstas para sábado (7)
A arena da 45ª Expoferr reúne competidores de Roraima, Amazonas, Pará e Rondônia em disputas de vaquejada e rodeio. Além das provas, o evento destaca a rotina de preparação dos participantes, que envolve treinamentos, cuidados com os animais, viagens e investimentos financeiros.
Durante a terceira noite de evento, nesta quinta-feira (5), vaqueiros, amazonas e peões compartilharam experiências sobre os desafios de participar das competições. Segundo o empresário Rogério Poliselli, responsável pela coordenação das provas, a preparação começa meses antes do evento.
“Quando você faz um evento desse tamanho, as pessoas esperam o ano inteiro. Quem não consegue ganhar, vai treinar ainda mais, investir em cavalos melhores e se preparar para conquistar uma fivela. Os competidores chegam com antecedência, alguns até dez dias antes, e têm gastos altos com viagens, treinamento dos animais, roupas e equipamentos”, explicou.
Mais de 15 anos de arena
Aos 40 anos, Gel Melquior acumula uma trajetória de mais de 15 anos na montaria em touros. Natural da comunidade indígena Arapá, no município de Uiramutã, ele conta que a paixão pelo esporte surgiu na infância, influenciada pelo pai, que trabalhava com gado e cavalos.
Após assistir a uma competição depois de percorrer 32 quilômetros a pé, começou a montar anos mais tarde. Uma lesão séria interrompeu a atividade, mas ele retomou a carreira em 2015. Desde então, conquistou 23 títulos e chegou a 53 finais em arenas de Roraima, Amazonas e São Paulo.
“É uma profissão que não é fácil. Muitas pessoas ainda não reconhecem o competidor de montaria em touros como um profissional. Mas é um sonho que nasce com a gente. Sou muito grato a Deus, aos amigos e às parcerias que me ajudaram nessa trajetória. Levei o nome de Roraima e de Uiramutã para outros lugares, e isso é muito gratificante”, relatou.
A Expoferr 2026 marca a despedida de Gel das arenas. O peão espera encerrar a trajetória sem lesões, diante dos riscos envolvidos na modalidade.
Participação feminina
Aos 25 anos, Tereza Policarpo representa a participação feminina nas provas de vaquejada. Natural de Caracaraí e moradora de Boa Vista há seis anos, ela começou a competir oficialmente em 2023, após adquirir o próprio cavalo.
A competidora destaca os altos custos da modalidade, principalmente com a manutenção dos animais e as inscrições nas provas. Segundo ela, a premiação na categoria feminina nem sempre cobre os investimentos.
“É um esporte muito caro, principalmente para a categoria feminina, que ainda não é tão valorizada em relação à premiação. Muitas vezes, o valor ganho não paga os custos de manter um cavalo e levá-lo para uma prova. Mesmo assim, a gente vem para brincar, se divertir e, como costumamos dizer, correr pelo troféu”, contou.
Tereza também explica que os animais precisam de treinamento diário para participar das disputas em boas condições físicas e mentais.
“Tem que caminhar com o animal, treinar passando nos bois e manter uma rotina todos os dias para ele chegar à corrida em forma. É uma preparação conjunta que envolve tanto o competidor quanto o cavalo”, detalhou.
A 45ª Expoferr segue até sábado (7), no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR-174, na região do Monte Cristo.
Entre as atrações musicais, estão previstos shows de Augusto e Atílio e Iguinho e Lulinha nesta sexta-feira (6), além de Sâmi Rico e César Menotti & Fabiano no sábado (7).
O evento é promovido pelo Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (Faerr).
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