Suzano espera geração de caixa mais forte e redução de dívida no 4º tri
A Suzano espera encerrar 2026 com uma dívida líquida inferior a US$ 14 bilhões, em meio à estratégia de desalavancagem após a aquisição de participação majoritária da operação global de bens de consumo da Kimberly-Clark. A expectativa é de uma geração de caixa mais forte no quarto trimestre, que deve contribuir para reduzir o endividamento da companhia.
No fim do terceiro trimestre, a dívida líquida consolidada da Suzano alcançou US$ 14,7 bilhões, ante US$ 12,8 bilhões registrados no segundo trimestre.
Segundo o CFO da companhia, Marcos Assumpção, o aumento reflete principalmente a aquisição da Kimberly-Clark, que acrescentou US$ 2,3 bilhões ao endividamento, considerando o pagamento da operação e a incorporação de dívidas.
Além da estratégia de redução do endividamento, a consolidação da operação de bens de consumo, por meio da joint venture Arbex, formada com a Kimberly-Clark, passou a ter peso relevante nos resultados da Suzano.
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No terceiro trimestre, o segmento registrou Ebitda ajustado de R$ 803 milhões. Com a contribuição da nova operação. Segundo a companhia, a margem de ganhos está em linha com a média setorial e deve avançar gradualmente.
Durante a coletiva, Assumpção afirmou que a margem Ebitda da unidade de bens de consumo está próxima de 16%, patamar que considera tradicional para o setor, cuja faixa costuma variar entre 10% e 20%.
O CFO também destacou a expectativa de melhora gradual da rentabilidade com a captura de sinergias da aquisição. Quando anunciou a transação, em 2025, a Suzano estimou ganhos de eficiência de US$ 175 milhões, equivalentes a aproximadamente dois pontos percentuais da receita da Arbex.
No terceiro trimestre, os bens de consumo totalizaram 299 mil de toneladas em vendas, alta de 369% quando comparado as 64 milhões de toneladas registradas em 2025.
Apesar do avanço da dívida consolidada, o executivo destacou que a operação original da Suzano apresentou redução do endividamento no período. Caso os resultados fossem considerados separadamente, sem a consolidação da nova operação, a dívida líquida teria recuado.
“De qualquer forma, consolidando os resultados da Arbex, fechamos em US$ 14,7 bilhões e assumimos um guidance de que devemos fechar o ano abaixo de US$ 14 bilhões”, afirmou Assumpção.
A perspectiva de redução está apoiada na expectativa de um desempenho operacional mais forte nos últimos três meses do ano. O quarto trimestre concentra a maior sazonalidade de volumes de celulose da companhia, além de apresentar um cenário considerado construtivo para os preços da commodity.
O câmbio também deve favorecer a geração de caixa. Assumpção destacou que a cotação média do dólar no terceiro trimestre ficou próxima de R$ 5,15, enquanto, as cotações atuais se aproximam de R$ 5,50.
O executivo ressaltou que a projeção de geração de caixa não depende de venda de ativos ou de receitas extraordinárias.
A avaliação é compartilhada pelo CEO da Suzano, Beto Abreu, que afirmou que o processo de desalavancagem está em linha com o planejamento da companhia. Segundo ele, os desafios geopolíticos continuam impactando os custos da operação, mas a estratégia permanece concentrada em projetos que aumentem a eficiência e a competitividade.
“A alavancagem ainda está alinhada com nossos objetivos. O foco é continuar nos projetos que reduzem nosso custo, ganhando cada vez mais competitividade”, disse.
Abreu também demonstrou otimismo com o desempenho dos últimos meses do ano. “Nossa expectativa é de que o quarto trimestre seja o melhor do ano para a companhia”, afirmou.
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