PolíticaCaso PC Farias: Série vai abordar a morte do ex-tesoureiro da campanha de Fernando Collor Paulo César Farias foi apontado como articulador de um esquema de corrupção e tráfico de influência durante o governo
Um dos episódios mais enigmáticos da política brasileira dos anos 1990 vai ganhar uma série no Prime Video. A plataforma anunciou a produção de “Quem Matou PC Farias?”, drama investigativo que revisitará o assassinato de Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello. O crime aconteceu em junho de 1996 e, quase três décadas depois, continua cercado de controvérsias.
A trama começa em uma mansão de luxo na praia de Guaxuma, em Maceió, onde PC Farias é encontrado morto com um tiro no coração, ao lado da namorada Suzana Marcolino. A partir desse episódio, um jornalista obstinado passa a investigar os bastidores do caso, tentando reconstruir os acontecimentos e encontrar respostas para uma pergunta que dividiu a opinião pública: quem matou PC Farias?
A história está diretamente ligada a um dos períodos mais turbulentos da política nacional. PC Farias ganhou notoriedade por sua atuação como tesoureiro da campanha de Fernando Collor, eleito presidente em 1989. O governo foi marcado por denúncias de corrupção que culminaram no processo de impeachment de Collor, em 1992. Anos depois, a morte de seu ex-tesoureiro trouxe novos questionamentos e diferentes versões sobre o que teria acontecido naquela noite.
O elenco reúne Irandhir Santos, Rômulo Estrela, Otávio Muller, Bella Campos, Isabella Santoni e Bruno Goya. A direção geral é de Marcelo Gomes, que também dirige episódios ao lado de Luciana Baptista. A produção é da Boutique Filmes, com a Caranto Filmes como produtora associada. Gustavo Mello e Guilherme César assinam como showrunners.
“Quem Matou PC Farias?” ainda não tem previsão de estreia no Prime Video. A série promete revisitar um caso que atravessou a política, a Justiça e o jornalismo brasileiro, trazendo para a ficção uma investigação que, até hoje, desperta curiosidade e debate.
Relembre o caso
Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, foi tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, eleito em 1989, e apontado como articulador de um esquema de corrupção e tráfico de influência durante o governo. Em 1992, denúncias feitas por Pedro Collor, irmão do então presidente, deram início a uma investigação parlamentar que revelou suspeitas de que empresas ligadas a PC Farias intermediavam pagamentos de empresários em troca de favorecimentos e também custeavam despesas pessoais de Collor.
O esquema ficou conhecido como Esquema PC Farias e teve papel central na crise política que levou à abertura do processo de impeachment de Collor, aprovado pela Câmara dos Deputados em setembro de 1992. Collor renunciou em dezembro daquele ano, durante o julgamento no Senado. PC Farias foi condenado por crimes relacionados ao esquema, entre eles falsidade ideológica, mas o Supremo Tribunal Federal absolveu Collor em 1994 na ação penal relacionada às denúncias.
Em 23 de junho de 1996, PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, foram encontrados mortos a tiros na casa de praia do empresário, na região de Guaxuma, em Maceió (AL). Inicialmente, a investigação apontou que Suzana teria atirado em PC e cometido suicídio em seguida, mas laudos posteriores contestaram essa versão e levantaram a hipótese de duplo homicídio.
O caso passou por investigações controversas e perícias divergentes. Em 2013, quatro policiais que faziam a segurança do local foram absolvidos pelo júri popular, e ninguém foi condenado pelas mortes. Até hoje, as circunstâncias do crime e a possível existência de um mandante permanecem sem esclarecimento.
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