Campo Grande News
06/11/2026 12:42

Sindicato diz que vai buscar carvão para evitar fechamento da Vetorial

O sindicato dos trabalhadores da Vetorial Siderurgia vai tentar encontrar fornecedores de carvão vegetal para evitar o fechamento da unidade de Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande, e preservar 220 empregos diretos. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (6), durante reunião da diretoria sindical, após a empresa anunciar que encerrará a produção em 11 de dezembro. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá e Ribas do Rio Pardo, Johans Rogério de Pinho Loureiro, a prioridade é esgotar as alternativas de abastecimento antes de iniciar as negociações sobre possíveis demissões. "Estamos tentando ver se conseguimos arrumar carvão em algum lugar, para não haver essa demissão", afirmou. A entidade pretende procurar fornecedores, inclusive em outras localidades, para verificar a possibilidade de manter a produção. Loureiro informou que a siderúrgica possui atualmente 220 trabalhadores diretos. O número não inclui terceirizados que atuam em serviços como alimentação, limpeza e outras atividades de apoio. O sindicato ainda não contabilizou quantos empregos indiretos poderão ser afetados. Caso encontre carvão a preços mais elevados, o presidente afirmou que pretende discutir alternativas de redução de custos para tentar manter a unidade funcionando. Ele não detalhou quais medidas poderiam ser adotadas. Conforme o presidente, por enquanto, não há reunião marcada com a Vetorial para discutir os desligamentos. Segundo ele, a entidade pretende negociar as condições das demissões somente após esgotadas as tentativas de evitar o fechamento. Se isso ocorrer, buscará a participação de órgãos competentes para acompanhar as negociações trabalhistas. O presidente do sindicato responsabiliza o Governo do Estado pela situação. Na avaliação dele, a expansão das indústrias de celulose e etanol de milho aumentou a concorrência pela madeira de eucalipto, utilizada na produção de carvão vegetal, sem considerar as necessidades das siderúrgicas já instaladas em Mato Grosso do Sul. "O culpado disso tudo é esse governo do Estado", declarou o presidente, ao criticar a falta de planejamento para atender às indústrias que dependem da matéria-prima. O sindicalista também demonstrou preocupação com a recolocação dos trabalhadores. Segundo ele, a Vetorial emprega moradores da região, enquanto parte das vagas nas novas indústrias exige qualificação profissional específica. Fechamento -  Em comunicado datado de 4 de novembro e recebido pelo sindicato na tarde de quinta-feira (5), a Vetorial informou que encerrará a produção em Ribas do Rio Pardo principalmente devido às dificuldades de abastecimento de carvão vegetal. Segundo a empresa, a concorrência pela madeira de eucalipto com os setores de celulose e etanol de milho comprometeu o fornecimento da matéria-prima. A siderúrgica afirma que enfrenta o problema há aproximadamente um ano e que chegou a avaliar alternativas, incluindo a importação de insumos, mas não encontrou condições economicamente viáveis para continuar produzindo. Custos operacionais e logísticos, dificuldades de competitividade e retração em segmentos da cadeia siderúrgica e mineral também foram citados como motivos para a decisão. No documento, a Vetorial informa que o encerramento deverá resultar em desligamentos, mas admite a possibilidade de aproveitar parte dos profissionais em outras atividades ou unidades da companhia. A empresa solicitou uma reunião prévia com o sindicato, conforme a exigência estabelecida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para dispensas em massa. Comprometeu-se a não realizar desligamentos decorrentes do fechamento antes da intervenção sindical. Enquanto o sindicato tenta evitar o fechamento, a Prefeitura de Ribas do Rio Pardo prepara medidas para facilitar a recolocação dos trabalhadores que eventualmente forem demitidos. Outro lado -  O Campo Grande News procurou a Vetorial Siderurgia para obter informações sobre os possíveis desligamentos e as alternativas para manutenção das atividades. A reportagem também solicitou manifestação da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) sobre a política de expansão industrial e seus possíveis impactos no abastecimento de madeira. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
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