Equilíbrio alivia eleitor diante da concentração em Trump, avalia Arko
O avanço dos democratas nos Estados Unidos pode ser explicado por um conjunto de fatores estratégicos, entre eles a capacidade de oferecer ao eleitor uma alternativa ao excesso de poder concentrado nas mãos de Donald Trump. A avaliação é de Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice, para o WW da última quinta-feira (6).
Segundo Aragão, um dos pontos centrais da estratégia democrata foi oferecer ao eleitor de Trump uma maneira de mudar de voto sem necessariamente mudar de identidade.
“Eles conquistaram alguns eleitores oferecendo a eles uma saída respeitosa, em vez de exigir que eles confessassem que estavam errados desde o início”, afirmou.
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A argumentação em torno da saúde também se mostrou um elemento decisivo na campanha democrata: “Foi uma ponte muito importante entre a pauta social dos democratas e a ansiedade econômica que tomou conta de muitos eleitores, principalmente no Meio Oeste“, avaliou Aragão.
Segundo ele, essa abordagem se mostrou particularmente efetiva em estados como o Kansas.
Outro fator destacado foi a diversidade de candidatos apresentados pelo partido. Ao escalar perfis muito diferentes entre si, os democratas conseguiram multiplicar suas mensagens de forma que um único candidato ou uma rede de candidatos semelhantes não seria capaz de fazer.
“O candidato de Michigan afeta e influencia o voto na Carolina do Sul, que influencia o voto no Texas e assim por diante”, explicou Aragão.
O especialista observou também que a maioria dos candidatos democratas enfatizou o excesso de poder concentrado nas mãos de Trump, construindo uma narrativa de efeito dominó: a concentration de poder levou a decisões equivocadas, que, por sua vez, afetaram o preço dos alimentos e dos combustíveis.
“Muitos eleitores, tradicionalmente até do Trump ou republicanos, votaram não necessariamente porque se alinharam a pautas democratas, mas entenderam que esse equilíbrio de poder pode dar um alívio ao eleitor, ao invés de ser sufocado diariamente por decisões que não passam por diálogo ou debate”, afirmou.
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