Campo Grande News
Raízen Caarapó registra prejuízo de R$ 278,9 milhões e aponta futuro incerto
A Raízen Caarapó Açúcar e Álcool Ltda. registrou prejuízo de R$ 278,9 milhões no exercício encerrado em março de 2026 e informou que avalia o futuro de suas atividades após vender a usina de Caarapó e transferir outras unidades para a controladora. As informações constam das demonstrações financeiras publicadas nesta sexta-feira (6) no DOE (Diário Oficial do Estado). A novidade está no retrato financeiro da empresa e na avaliação sobre sua continuidade. Segundo o documento, as mudanças deixaram a sociedade sem operações capazes de gerar dinheiro regularmente. A situação se refere à empresa que vendeu os ativos e não significa anúncio de fechamento da usina adquirida pela Adecoagro. “Em decorrência dessas transações, a Companhia deixou de deter operações capazes de gerar fluxos de caixa operacionais recorrentes”, informa o balanço. A administração afirma que está avaliando alternativas para manter as atividades e definir como a empresa funcionará daqui para a frente. O documento aponta “incerteza material que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de a Empresa continuar em operação no curso normal de seus negócios”. O prejuízo de R$ 278,9 milhões contrasta com o lucro de R$ 159,2 milhões registrado no exercício anterior. O período analisado vai de abril de 2025 a março de 2026, portanto, antecede a conclusão da venda da usina de Caarapó, em setembro. A receita líquida ficou em R$ 6,82 bilhões, próxima dos R$ 6,84 bilhões do exercício anterior. Apesar dessa estabilidade, o resultado das operações antes dos efeitos financeiros e dos tributos caiu de R$ 261,5 milhões para R$ 36,5 milhões. As perdas financeiras também aumentaram. O saldo negativo dessa conta, que reúne despesas financeiras, receitas e variação cambial, passou de R$ 28,9 milhões para R$ 166,1 milhões. O balanço ainda registra ajuste de R$ 319,6 milhões relacionado à perda de valor de ativos. Outro indicador mostra a pressão sobre as contas: as atividades operacionais consumiram R$ 85 milhões em caixa. No exercício anterior, haviam gerado aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Esses números são da pessoa jurídica Raízen Caarapó Açúcar e Álcool Ltda., cujo documento menciona outras usinas em seu portfólio. Por isso, o resultado não pode ser atribuído integralmente à unidade industrial localizada no município sul-mato-grossense. A publicação também relaciona as dificuldades ao cenário financeiro do grupo Raízen e ao processo de recuperação extrajudicial, mecanismo usado para renegociar dívidas com credores. Conforme o Campo Grande News já noticiou, o plano do grupo prevê a reestruturação de R$ 61,4 bilhões em dívidas, com conversão de parte dos créditos em ações e emissão de novos títulos. Os acionistas aprovaram, em outubro, medidas para executar o acordo e separar os negócios de produção de açúcar e etanol da distribuição de combustíveis. Em Mato Grosso do Sul, a Raízen vendeu as três usinas que mantinha. Rio Brilhante e Passa Tempo foram negociadas com a Cocal. Já a unidade de Caarapó passou para a Adecoagro, que concluiu a aquisição em setembro por R$ 705 milhões, considerados os ajustes previstos no contrato.
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