Movimento de Sada Cruzeiro e Perugia contra calendário do vôlei tem adesão de mais clubes e atletas
Após o Sada Cruzeiro se alinhar ao Perugia, da Itália, contra as mudanças propostas para o calendário mundial do vôlei, a mobilização ganhou força nesta sexta-feira (6), com a adesão de estrelas da modalidade, incluindo as ponteiras Gabi Guimarães e Julia Bergmann, destaques da seleção brasileira. Além dos atletas, as principais ligas do voleibol italiano e a associação de jogadores do país divulgaram um comunicado conjunto contra o projeto apresentado pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
“O vôlei precisa de um calendário sustentável, que valorize os campeonatos nacionais, proteja os atletas e reconheça o papel central dos clubes. Qualquer reforma internacional deve partir de uma premissa indispensável, compartilhada por ligas e atletas: sem clubes e sem jogadores, não pode haver vôlei”, afirma o comunicado assinado pela Liga Italiana de Vôlei Masculino (Lega Pallavolo Serie A), pela Liga Italiana de Vôlei Feminino (Lega Volley Femminile) e pela Associação Italiana de Jogadores de Vôlei (AIP).
A proposta prevê a interrupção dos campeonatos nacionais durante a temporada para abrir espaço aos compromissos das seleções. Pelo planejamento apresentado pela FIVB a clubes, ligas e federações, a pausa ocorreria em períodos diferentes no masculino e no feminino. O projeto também prevê a transferência do Mundial de Clubes de dezembro para maio, a partir de 2029.
O desgaste físico dos atletas, uma das preocupações já apontadas pelo Sada Cruzeiro em entrevista exclusiva a O TEMPO Sports, aparece entre as principais críticas das entidades italianas. O clube mineiro confirmou que encaminhou à FIVB um documento contrário à proposta. Segundo o comunicado italiano, o novo modelo envolve “mais partidas, maior concentração de compromissos e mais picos de intensidade, com consequências diretas nos tempos de recuperação e na proteção da saúde dos jogadores”.
A nota também questiona a falta de uma solução para um problema antigo do calendário internacional: “a duração muito curta dos campeonatos nacionais, concentrados em apenas sete meses”. Para as entidades, a proposta da FIVB apenas redistribui os compromissos entre clubes e seleções, sem ampliar o tempo destinado às competições nacionais. “O resultado corre o risco de ser um fardo adicional para todo o sistema”, diz o documento.
As entidades italianas também alertam para os prejuízos financeiros que a interrupção poderia provocar nos clubes. Segundo o comunicado, a paralisação retiraria das competições nacionais “um dos períodos mais importantes para o público, patrocinadores, direitos televisivos e envolvimento dos torcedores”. A preocupação é compartilhada pelo Sada Cruzeiro, que destacou o risco de perder público e visibilidade justamente durante as férias escolares e o recesso do futebol brasileiro, período em que o vôlei tem mais espaço para atrair torcedores aos ginásios e ampliar a exposição dos patrocinadores.
Já a FIVB afirma que o objetivo da reformulação é proteger os períodos dedicados às principais competições das seleções nacionais e oferecer mais flexibilidade às ligas para organizar suas temporadas. As mudanças, porém, ainda estão em discussão e não foram aprovadas pela entidade.
Atletas se unem contra proposta de novo calendário da FIVB
A discussão sobre o novo calendário do vôlei internacional ganhou projeção com a campanha #NoClubsNoVolley (Sem clubes, não há vôlei), iniciada pelo Perugia. Agora, ligas e jogadores ampliaram o movimento com a hashtag #NoClubsNoPlayersNoVolley (Sem clubes, sem jogadores, não há vôlei).
Entre as atletas que aderiram estão duas referências da seleção brasileira. Gabi Guimarães, ponteira do Conegliano, da Itália, é capitã do Brasil e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e de bronze em Paris. Julia Bergmann, que defende o Scandicci, também da Itália, é medalhista de bronze em Paris e uma das principais ponteiras da nova geração brasileira.
A mobilização reúne ainda outras jogadoras, como a sérvia Maja Ognjenović, levantadora do Scandicci, bicampeã mundial e medalhista olímpica; a sueca Isabelle Haak, oposta do Conegliano e uma das principais atacantes do vôlei internacional; a polonesa Joanna Wołosz, levantadora multicampeã pelo Conegliano; e a italiana Ekaterina Antropova, oposta do Scandicci e campeã olímpica com a seleção da Itália em Paris 2024.
No masculino, também se manifestaram Simone Giannelli, levantador do Perugia e capitão da seleção italiana; Alessandro Michieletto, ponteiro do Trentino e destaque do título mundial da Itália em 2025; Micah Christenson, levantador norte-americano e medalhista olímpico; Ferre Reggers, oposto da seleção belga; Agustín Loser, central argentino medalhista de bronze em Tóquio; e Mattia Bottolo, ponteiro italiano campeão mundial com sua seleção.
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