AC24horas
06/11/2026 14:34

Exclusões na transição já indicam quem fica e quem sai do governo Mailza

O cenário político do Acre, as mudanças previstas nas estruturas do governo estadual e da Prefeitura de Rio Branco, além das articulações para as eleições de 2028, foram alguns dos assuntos discutidos por Marcos Venícios e Luiz Carlos Moreira Jorge, o Crica, na edição do programa Boa Conversa desta sexta-feira, 06, no ac24horas.

Durante a transmissão, os comentaristas analisaram a formação da equipe de transição da governadora Mailza Assis, as possíveis mudanças no primeiro escalão, a expectativa de demissões de servidores terceirizados e a influência de lideranças políticas na composição do próximo governo. Também entraram na pauta a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o futuro político do ex-governador Gladson Cameli e os movimentos do senador reeleito Marcio Bittar para 2028.

Foto: Sérgio Vale

Um dos primeiros assuntos foi a escolha do empresário Madson Cameli, marido da governadora, para coordenar a equipe de transição. Ao comentar a decisão, Crica questionou a necessidade de uma transição em uma situação na qual a atual governadora foi reeleita.

“É o cara que vai mandar. Agora, transição é de brincadeira, né? Não tem transição nenhuma. É apenas um ato ritualístico, porque ela não vai passar a faixa pra ninguém. Ela vai passar pra ela mesma”, afirmou.

Na avaliação do comentarista, Madison já ocupa uma posição de grande influência na administração estadual. “O Madson é um homem forte do governo, hoje nem se discute. Tudo passa por ele”, acrescentou.

Marcos Venícios apresentou uma análise dos nomes que integram a equipe e que, segundo sua apuração nos bastidores, podem continuar no governo a partir de janeiro. Entre os integrantes estão o chefe da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura; o secretário de Planejamento, Ricardo Brandão; o secretário Luiz Calixto; a procuradora-geral do Estado, Janete Melo de Albuquerque; o secretário João Paulo Silva e Silva; além do deputado Ney Amorim. “Esse é o staff da Mailza, e o que eu quero colocar pra você que nos acompanha é que esse é o grupo que está garantido a voltar”, afirmou Marcos.

Marcos também chamou atenção para a ausência do atual secretário da Fazenda, Amarisio, na equipe de transição. Segundo ele, a falta do nome na composição é um indicativo de que o secretário pode não permanecer no cargo. “E a informação que eu tenho é que ele não deve ficar mesmo pra ser secretário de Fazenda no próximo governo. Ou ele estaria nessa lista”, declarou.

Outro nome citado foi Ney Amorim, que ainda não ocupa cargo no governo, mas integra a equipe de transição. Para Marcos, a participação do parlamentar indica que ele deverá ganhar protagonismo na próxima administração. Crica concordou com a avaliação e defendeu que Ney seja colocado em uma secretaria de maior relevância política. “É preciso que pegue uma secretaria que tenha maior protagonismo”, comentou.

Foto: Sérgio Vale

A Secretaria de Comunicação do Estado foi outra estrutura mencionada pelos comentaristas. Marcos observou que nenhum representante da área aparece na equipe de transição e apontou Lucas Godoy, ligado ao marqueteiro Paulo Moura, como um dos nomes cotados para assumir o comando da pasta. “É provável que o Lucas Godoy, que é o braço direito do marqueteiro da Mailza, o Paulo Moura, seja o novo secretário de Comunicação. Cotado!”, afirmou.

Crica acrescentou que também tem ouvido o nome de Jefferson Dourado, atual diretor da Rádio Difusora e um dos porta-vozes do governo. “Outro cotado também que eu tenho ouvido falar muito é o Jefson Dourado. Hoje trabalha na comunicação também, que é um dos porta-vozes do governo. Tremendamente competente. No jornal Gazeta ele era o diagramador”, afirmou.

Marcos avaliou que Jefson poderia ajudar a reorganizar o ambiente interno da Secom, onde, segundo ele, existe insegurança entre os profissionais diante das mudanças previstas.

“Hoje dentro da Secom os profissionais que foram escolhidos, muitos pela antiga secretária, vivem em tensão. Não sabem se vão ficar, não sabem como é que vai ser o futuro”, declarou.

Apesar das possíveis mudanças, Marcos ressaltou que a secretaria conta com profissionais qualificados. “A Secom tem excelentes profissionais. A Nayara formou um excelente time. Mas a gente sabe que tem as questões de cargo de confiança, questões políticas e mudanças que devem acontecer dentro da Secom”, pontuou.

A possibilidade de cortes na estrutura do governo estadual também foi abordada durante o programa. Marcos mencionou as primeiras exonerações publicadas no Diário Oficial e afirmou que 32 servidores já haviam sido desligados naquela semana.

Crica, por sua vez, revelou ter conversado com um deputado ligado à área e disse que recebeu a informação de que o número de demissões entre trabalhadores terceirizados poderá ultrapassar mil. “Eu conversei com um deputado ligado à área. Eu perguntei pra ele: as demissões terceirizadas vão passar de mil? Ele me disse que as demissões vão passar de mil”, relatou.

O comentarista também mencionou o cancelamento de empenhos que estavam previstos para liquidação e avaliou que as medidas fazem parte de um esforço para ajustar as contas públicas. “Os empenhos que estavam para serem liquidados foram cancelados. Isso tudo para fechar as contas, né? Tudo para fechar as contas, porque senão ela não fecha a conta para a próxima gestão”, afirmou.

Crica defendeu que Mailza reduza cargos de confiança e reveja o tamanho da estrutura administrativa. “Mailza tem que cortar o cargo de confiança, e muito terceirizado vai ter que cortar mesmo. Ela vai ter que reduzir a secretaria, tem secretaria ineficiente que não entrega nada, e ela vai ter que fazer isso”, declarou.

Marcos acrescentou que, conforme informações de bastidores, a orientação seria priorizar os cortes entre pessoas nomeadas durante o período de pré-campanha. “A ideia do plano interno é que os que sejam demitidos sejam as pessoas que já foram nomeadas no período de pré-campanha. São os mais novos, os balançadores de bandeira”, afirmou.

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Acre também movimentou a conversa. Crica avaliou que Nicolau Júnior, atual presidente da Casa, reúne condições favoráveis para conquistar mais um mandato. O comentarista citou articulações com parlamentares do PL, o senador Márcio Bittar e o deputado Edvaldo Magalhães, além da possibilidade de apoio de outros integrantes da Assembleia.

“E o Nicolau é muito jeitoso. Ele trata os deputados muito bem. Ele não tem aresta dentro da Assembleia. Então eu diria que ele é um fortíssimo candidato a ganhar a eleição de novo”, afirmou.

Crica também revelou que perguntou ao parlamentar sobre a possibilidade de disputar a Prefeitura de Cruzeiro do Sul em 2028. Segundo o comentarista, Nicolau não descartou a candidatura, mas condicionou a decisão à construção de um consenso político no município.

“Ele disse: olha, se houver consenso, sim. Se todas as forças de Cruzeiro entrarem no consenso que eu sou o nome ideal, eu vou aceitar ser candidato a prefeito. Quem é que não quer ser candidato a prefeito da sua terra?”, relatou.

Crica, entretanto, destacou a relação construída por Nicolau com os demais deputados, inclusive os integrantes da oposição. “É um deputado que trouxe paz pra Assembleia. Ele não persegue a oposição, a oposição fala livremente, ele não se mete”, afirmou.

Marcos avaliou que, apesar das movimentações contrárias, seria difícil reunir força suficiente para derrotar o atual presidente. “Eu acho que o Nicolau é querido ali dentro da Assembleia, eu acho que é difícil derrotar o Nicolau”, comentou.

O futuro político do ex-governador Gladson Cameli também foi discutido. Crica afirmou ter recebido uma ligação de uma ex-assessora do político para esclarecer que não existe possibilidade de Gladson assumir uma secretaria ou atuar como articulador político na administração de Mailza. “Gladson não vai vir para ser secretário, não vai vir para ser articulador político, coisa nenhuma”, declarou.

Segundo o comentarista, o ex-governador está envolvido em atividades empresariais da família no Amazonas e não teria interesse em retornar à estrutura administrativa do Acre para ocupar um cargo de menor protagonismo. “Ele vai ficar com o pai, e eu também acho que não faz nem sentido ele vir aqui para ser mandado pela Mailza, para ser mandado por qualquer um”, afirmou Crica.

O comentarista acrescentou que Gladson não precisaria de um cargo público e que uma eventual participação no governo poderia representar um desgaste político desnecessário. “Ele não precisa, a família dele é uma das mais poderosas da Amazônia financeiramente. Então ele não precisa de cargo de secretário, de articulador político. Ele vai aqui para ficar sofrendo desgaste, sendo mandado. Não acredito também, em hipótese nenhuma, que o Gladson venha ocupar algum cargo do governo”, completou.

Marcos concordou que o ex-governador não deverá integrar diretamente a administração, mas ponderou que ainda poderá exercer influência nas indicações e nas articulações políticas.

As eleições municipais de 2028 também entraram na pauta, especialmente a disputa pela Prefeitura de Rio Branco. Crica comentou a possibilidade de o senador Marcio Bittar (PL) construir uma aliança com o senador Alan Rick e a ex-deputada Mara Rocha.

Segundo ele, Bittar estaria insatisfeito com a falta de apoio ostensivo do prefeito Alysson Bestene durante a campanha eleitoral e pretende acompanhar a formação das equipes do governo estadual e da prefeitura antes de definir seus próximos movimentos.

“Ele esperava ser apoiado ostensivamente pelo prefeito Alysson Bestene, não foi. E me disse que vai observar a formação da equipe da Mailza, observar a formação da equipe do Alysson e que pode fazer, sim, uma composição com o Alan Rick, com a Mara Rocha”, relatou Crica.

Na avaliação do comentarista, uma composição entre os três poderia formar um grupo competitivo para enfrentar o atual prefeito em uma eventual disputa pela reeleição. “Se juntar Márcio Bittar, a Mara e o Alan escolherem o bom nome, dá uma boa disputa pra Prefeitura de Rio Branco”, afirmou.

Apesar de reconhecer a possibilidade de uma aliança oposicionista, o comentarista fez elogios à gestão de Alysson Bestene. “O Alysson tá sendo um bom prefeito. Tá fazendo os movimentos que são muito populares. Na questão da Guarda Municipal, mexe com segurança. E ele tem uma obra ali, ele sempre tá presente, olhando e tal. É um cara do diálogo”, declarou.

A implantação da Guarda Municipal foi citada como uma das iniciativas que podem fortalecer politicamente o prefeito. Crica contou que percebeu a circulação de veículos já identificados com a identidade visual da corporação e relatou uma conversa com Alysson sobre o assunto. “Eu perguntei pra ele: tu guardou isso na tua garagem? Ele disse: eu deixei escondido pra ninguém ver, pra ser surpresa”, contou.

As mudanças na Prefeitura de Rio Branco e o afastamento de nomes ligados ao ex-prefeito Tião Bocalom também foram discutidos. Marcos Venícios comentou a exoneração de Valtim José da chefia da Casa Civil, publicada nesta sexta-feira, 6, e a nomeação de Adauto da Silva Gois para o cargo.

Crica afirmou que Bocalom esperava ter sido chamado por Mailza para uma conversa durante o segundo turno das eleições, mas isso não aconteceu. Segundo ele, o ex-prefeito também teria tentado preservar alguns aliados na estrutura municipal.

“Ele esperava ter sido chamado pela Mailza pra uma conversa, no segundo turno. Não foi chamado. E, pelo que eu soube, ele tentou ainda segurar alguns nomes dentro da prefeitura, ligados a ele, mas parece que não houve uma contrapartida do Wallace nesse sentido”, afirmou.

Para Crica, a substituição de integrantes ligados à gestão anterior faz parte do processo de consolidação da administração de Alysson Bestene. “É natural que o Wallace nomeie o seu time, pra dar uma cara à sua própria gestão”, declarou.

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