Duda Salabert propõe inclusão do horário de almoço na jornada de trabalho

Duda Salabert apresenta projeto que pode reduzir trabalho para 35 horas semanais após o fim da 6x1. (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputadas)
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) apresentou nesta quinta-feira (5) um projeto de lei que sugere a contagem do intervalo de almoço como tempo trabalhado, com limite de até duas horas diárias. O texto visa impedir que negociações coletivas retirem esse direito, buscando assegurar que o período em que o funcionário permanece vinculado à empresa seja integralmente reconhecido e remunerado.
Como funcionaria a contagem do tempo de trabalho com a aprovação dessa proposta?
Caso o projeto de lei seja aprovado, o trabalho efetivo passaria por uma mudança significativa. Atualmente, após a aprovação do fim da escala 6x1, a jornada máxima permitida pela Constituição será de 40 horas semanais. No entanto, se o intervalo de almoço — que costuma ser de uma hora — for contado como hora trabalhada, o tempo de serviço real cairia para 35 horas por semana. A deputada argumenta que, na prática, o trabalhador que cumpre oito horas de expediente acaba ficando nove horas vinculado ao emprego, já que raramente tem liberdade total de escolha durante o intervalo.
Qual é a principal justificativa apresentada pela deputada para essa mudança?
A parlamentar defende que o período de repouso e alimentação não é de livre escolha do trabalhador, pois a maioria das pessoas permanece no local de trabalho ou em áreas próximas durante esse tempo. Duda Salabert vincula essa proposta ao movimento pelo fim da escala 6x1, afirmando que a iniciativa busca garantir que todo o tempo dedicado ao emprego seja devidamente valorizado. O texto do projeto também traz uma trava específica: ele proíbe que sindicatos e empresas façam acordos ou convenções coletivas para eliminar o direito à remuneração e à contagem desse intervalo na jornada.
Por que o projeto pode enfrentar resistências jurídicas no Supremo Tribunal Federal?
A proposta gera um conflito direto com o que o STF decidiu em 2022. Naquela ocasião, a Corte estabeleceu o princípio do 'negociado sobre o legislado', permitindo que acordos coletivos reduzam direitos trabalhistas, desde que não mexam em direitos fundamentais e indisponíveis. O projeto de Salabert quer impedir justamente essa flexibilização no caso do almoço. Embora existam decisões recentes, como uma de 2025 que contou intervalos de professores como trabalho, a tendência da Corte, muitas vezes liderada pelo ministro Gilmar Mendes, tem sido a de validar o que é decidido entre patrões e empregados.
Como está o cronograma atual de redução da jornada de trabalho no Brasil?
A jornada de trabalho brasileira está em fase de transição após uma emenda constitucional promulgada em outubro de 2026. O limite, que era de 44 horas semanais, cairá gradualmente: passará para 42 horas em 16 de dezembro de 2026 e atingirá o teto de 40 horas em dezembro de 2027. O setor produtivo, representado pela CNC e pela CNI, já recorreu ao STF pedindo um prazo maior para adaptação, alegando dificuldades para contratar novos funcionários e ajustar escalas. O ministro Flávio Dino, relator do caso, marcou uma audiência de conciliação para discutir esse cronograma na próxima semana.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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