Influenciador "Moskow" é absolvido de tentativa de chacina em Fortaleza
Antônio Victor Araújo foi inocentado pelas tentativas de homicídio, mas foi condenado por organização criminosa e deve cumprir a pena em regime aberto
Por Jéssika Sisnando
Notícia
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Publicado às 14:53, 06/11/2026
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Resumo
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O Tribunal do Júri absolveu o influenciador Antônio Victor de Araújo Ferreira, o "Moskow", e outros dois réus da tentativa de chacina na Barra do Ceará, alegando falta de provas de autoria.
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No entanto, eles foram condenados por integrarem a facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Moskow recebeu pena de quase quatro anos em regime aberto, agravada por exercer papel de liderança na facção utilizando sua influência nas redes sociais.
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A tentativa de chacina havia sido inicialmente investigada como vingança pela morte de sua namorada e cunhada.
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O conselho de sentença da 6ª Vara do Júri da Capital, porém, condenou o criador de conteúdo e outros dois réus por integrarem organização criminosa, com o agravante do emprego de arma de fogo. Antônio Victor foi apontado como membro da facção Guardiões do Estado (GDE).
A tentativa de chacina ocorreu em 2 de maio de 2025. De acordo com a investigação, o influenciador teria ordenado o ataque a tiros, que deixou cinco pessoas feridas, com o intuito de vingar as mortes da namorada, Bianca dos Santos, de 15 anos, e da cunhada, Maria Beatriz dos Santos, executadas no dia anterior, no espigão da Vila do Mar.
Um outro acusado pela tentativa de chacina, Igor Rodrigues da Cruz, foi preso em um hospital horas após o crime, depois de ser baleado. Ele teria apontado o influenciador como o mandante da retaliação.
Apesar disso, os jurados decidiram pela absolvição de Moskow, de Igor Rodrigues da Cruz e do terceiro réu, Ruan Pablo Ribeiro Serra. O Tribunal do Júri reconheceu a materialidade dos ataques, mas respondeu negativamente ao quesito de autoria.
Liderança no crime e presença digital
A Justiça acatou a tese do Ministério Público Estadual (MPCE) de que o influenciador — que acumula milhões de seguidores no TikTok e Kwai gravando "novelinhas" sobre o cotidiano de comunidades — exercia posição de influência, comando e direção na Guardiões do Estado, valendo-se justamente de sua projeção em mídias gravadas para as redes sociais.
Segundo a decisão, o juízo negou a Moskow o benefício de converter sua pena privativa de liberdade em restritiva de direitos. Ele foi sentenciado a três anos, 10 meses e 16 dias de reclusão, com pagamento de 71 dias-multa, em regime inicial aberto.
O cálculo da pena considerou a atenuante de sua menoridade relativa na data dos fatos (ele nasceu em janeiro de 2007), circunstância que foi contrabalançada pela agravante de chefia no grupo criminoso.
Os demais réus também foram sentenciados por integração à organização criminosa armada. Igor Rodrigues da Cruz, considerado reincidente por possuir condenação anterior por roubo, recebeu a pena de três anos, 10 meses e 16 dias de reclusão, além de 71 dias-multa, em regime aberto.
Já Ruan Pablo Ribeiro Serra teve a pena fixada em 4 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão e 147 dias-multa, em regime aberto, tendo a culpabilidade e os antecedentes julgados como desfavoráveis por condenações recentes transitadas em julgado no decorrer da própria ação.
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