INVESTIDORES Mercado reage com ceticismo a aceno de Lula sobre ajuste fiscal Medidas econômicas do quarto mandato do presidente devem ser debatidas na segunda quinzena de novembro, de acordo com ministro
O Ibovespa, principal índice da Bolsa, amanheceu sem grandes oscilações nesta sexta-feira (6/11), um dia após o presidente Lula (PT) sinalizar ao mercado que seu quarto mandato terá um ajuste fiscal. O índice avançou 0,56% – distante da queda de 13,88% um dia após o resultado do segundo turno.
Os investidores agem com cautela neste momento, ainda incertos sobre as ações do governo federal na área econômica, na avaliação da estrategista de ações da Nomad Rebecca Nossig. “A reação dos investidores segue marcada pelo ceticismo. O mercado cobra detalhes concretos sobre como se dará o contingenciamento de despesas e avalia que a credibilidade do compromisso fiscal dependerá não apenas das promessas, mas da efetiva aprovação de projetos impopulares no Congresso”, diz ela.
Na quinta-feira (5/11), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou o compromisso do governo com as contas públicas, mas não detalhou as medidas que serão adotadas. Segundo Durigan, as medidas serão debatidas na segunda quinzena de novembro, quando o presidente retornar de compromissos internacionais, entre eles a participação na COP31, na Turquia.
“A notícia de que o presidente Lula analisa as propostas de racionalização, mas só deve tomar uma decisão definitiva sobre os cortes no final de novembro, prolongou o clima de incerteza, mantendo a curva de juros pressionada e limitando severamente o apetite por risco na Bolsa”, pondera Nossig.
Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interrompeu os cortes da taxa de juros e decidiu manter a Selic em 13,75% ao ano. A perspectiva de manutenção da taxa elevada foi um dos motivos que causaram a queda na Bolsa após a eleição de Lula, sob um temor dos investidores de um descontrole fiscal.
“Ao menos por ora, diante das sinalizações durante a campanha, a maior parte dos analistas não associava Lula a um governo que priorizaria o ajuste das contas públicas. Ao menos com base no que foi feito no governo anterior e durante a campanha. Isso pode mudar. Não houve ainda indicação de novo ministro e nenhuma política econômica proposta. Aqui são sinalizações. Diante disso, houve uma reprecificação no mercado”, arremata a estrategista de investimentos da XP Rachel de Sá.
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